19/12/2007 - 8:00
Com quase 30 anos de experiência, o headhunter Winston Pegler já recrutou executivos para as posições mais inusitadas possíveis. Uma delas, por exemplo, exigia que o sujeito fosse muçulmano e seguisse fielmente os cânones do Alcorão. Atualmente, Pegler, responsável pelo braço local da Ray & Berndtson, quinto maior escritório de headhunting do mundo, tem em sua carteira uma outra vaga única no universo corporativo. O Greenpeace, uma das mais emblemáticas ONGs de defesa do meio ambiente, está à caça de um profissional para ocupar uma de suas mais importantes cadeiras, a de diretor de operações e relações políticas. Os candidatos estão sendo selecionados em apenas quatro países, sempre pela Ray & Berndtson: Brasil, Índia, Argentina e Chile. ?O Greenpeace exige que o novo diretor venha de um país emergente?, diz Pegler. ?Nessas regiões as demandas por sustentabilidade são mais fortes.? O escolhido se mudará para Amsterdã, sede da ONG. O salário, ? 5 mil líquidos por mês, é modesto para os padrões do mundo corporativo, mas mesmo assim, segundo Pegler, os candidatos se encaixam na denominação ?gente de primeiro time? (interessados ainda podem escrever para solutions@ rayeb.com.br). Até o momento, dos 13 candidatos entrevistados por ele, três foram selecionados ? são presidentes ou diretores gerais de companhias. Seus contracheques hoje registram valores entre R$ 800 mil e R$ 1 milhão anuais. O que os levaria, então, a aceitar um emprego com encolhimento de salário? ?São profissionais que já possuem uma situação financeira confortável e não têm a ambição de ganhar dinheiro sem parar?, responde Pegler. Além disso, o cargo será de alta exposição num dos temas mais abordados pela sociedade nos dias de hoje. Duas características são imprescindíveis para o ocupante. Uma delas é a comprovada (e bem-sucedida) experiência em gestão de companhias. A outra é o envolvimento com a causa do meio ambiente. Há uma mudança sutil mas fundamental no desenho desse perfil. O Greenpeace não está à procura de um militante com conhecimentos de administração, mas sim de um gestor sensível ao tema sustentabilidade.
Para conquistar o posto, os três brasileiros passarão, junto com outros 12 candidatos dos outros países, por uma bateria de conversas telefônicas com o board do Greenpeace. Os cinco finalistas irão para Amsterdã para encontros pessoais com os chefões da entidade. O nome do escolhido será anunciado em janeiro. Empossado, ele comandará sete outros executivos e terá pelo menos duas grandes funções. Numa delas, será uma espécie de embaixador junto aos grandes organismos internacionais, como a ONU e a OMC, e representantes de governos. Seu segundo papel será dentro de casa. Ele ajudará as ?filiais? espalhadas pelo mundo a traçar estratégias de atuação, de acordo com as políticas traçadas pela matriz. É um trabalho complexo, que requer habilidade. Por isso, nem todos agüentam. Nos últimos dois anos, três pessoas já sentaram nessa cadeira. ?Esse diretor não terá um comando hierárquico sobre as filiais?, afirma Pegler. ?Sua arma será o poder de convencimento sobre os diretores gerais dessas unidades.?