Em manifestação ao Supremo Tribunal Federal (STF), a  Procuradoria-Geral da República (PGR) sustentou que não há dados  prestados na delação de Walmir Pinheiro, executivo da UTC, que gerem  suspeita sobre o ministro Jaques Wagner (Casa Civil). A colaboração do  executivo serviu de embasamento para o pedido feito pela PGR em novembro  do ano passado e encaminhado ao gabinete do ministro Celso de Mello,  que analisou a manifestação no último dia 19.

O  arquivamento da menção a Wagner, portanto, não guarda relação com as  trocas de mensagens entre o ministro e o ex-presidente da OAS José  Adelmário Pinheiro Filho, o Léo Pinheiro. Conforme a reportagem revelou,  investigadores da Lava Jato identificaram menções ao nome do político e  Léo Pinheiro. Os registros foram obtidos por meio da apreensão do  celular do executivo. Os diálogos indicam, por exemplo, que Wagner,  então governador da Bahia, teria ajudado a OAS na liberação de recursos  do governo federal. Ele também teria intermediado o financiamento de  campanhas municipais em Salvador em 2012, no período em que esteve no  governo estadual.

A peça da PGR é assinada pela  vice-procuradora-geral da República, Ela Wiecko. Ela pede ainda o  arquivamento de menções feitas aos deputados Paulinho da Força (PSD-SP) e  Luiz Sérgio (PT-RJ). “Walmir Pinheiro Santana também faz alusão a  doações eleitorais oficiais aos deputados federais Paulinho da Força e  Luiz Sérgio Nobrega de Oliveira, bem como ao ministro Jaques Wagner.  Contudo, não fornece dados que gerem suspeita de ilicitude no pagamento e  recebimento dessas vantagens. Por tal razão, revela-se necessário o  arquivamento dos autos em relação aos indivíduos mencionados, detentores  de prerrogativa de foro perante o STF”, escreveu a  vice-procuradora-geral.

Na delação, Walmir Pinheiro  afirmou que “jamais esteve” com Jaques Wagner, mas que sabe que Ricardo  Pessoa, dono da UTC, conhece o ministro desde o tempo em que era  engenheiro. Ele afirmou ainda que Pessoa teria feito doações para a  campanha de Jaques Wagner de 2006 e que os repasses “sempre foram  oficiais e fruto das relações de amizade”. Ele respondeu ainda que a UTC  tem duas obras na Bahia, Estado político do ministro da Casa Civil.