O Ministério Público Federal, na Bahia, expediu recomendações na  quarta-feira passada, dia 20, ao ministro do Meio Ambiente, José Sarney  Filho, e ao ministro-chefe da Casa Civil, Eliseu Padilha, para que  tornem sem efeito a nomeação de Neuvaldo David Oliveira para o cargo de  superintendente Instituto Brasileiro do Meio Ambiente e dos Recursos  Naturais Renováveis (Ibama) na Bahia, ou o exonere em caso de haver  ocorrido a posse e exercício no referido cargo. Segundo a Procuradoria  da República, Oliveira é réu em quatro ações de improbidade e já foi  responsabilizado por infração ambiental.

A nomeação foi  publicada em portaria assinada em 18 de julho pelo ministro de Meio  Ambiente Interino, Marcelo Cruz. Para o Ministério Público Federal, a  nomeação pode ocasionar conflito de interesses. Neuvaldo David Oliveira,  segundo o Ibama da Bahia, ainda não tomou posse. Filiado ao PR, ele já  foi prefeito da cidade de Caravelas, na Bahia. Hoje é vice-prefeito.

Segundo  a recomendação, Oliveira já foi responsabilizado por infração ambiental  e condenado a pagar multa pela instalação de rede de abastecimento de  energia elétrica em área de preservação permanente, infringindo a Lei nº  9.605/98. A Procuradoria aponta que Oliveira responde a quatro ações  por improbidade administrativa, sendo duas movidas pelo Ministério  Público Federal e as outras pelo município de Caravelas, a 844  quilômetros de Salvador.

“O Ministério Público Federal  entende que, empossado no cargo de superintendente do Ibama, Oliveira  pode vir a influenciar em atos de gestão que lhe beneficiem diretamente,  o que configuraria situação de conflito de interesse, conforme o art.  5ª da Lei nº 12.813/2013. No documento, o órgão ainda cita o Decreto nº  6.099/07, que prevê que os cargos comissionados do Ibama devem ser  providos preferencialmente por servidores públicos de órgãos integrantes  do Sistema Nacional do Meio Ambiente, que não é o caso de Oliveira”,  diz nota da Procuradoria.

As recomendações foram enviadas  ao procurador-geral da República, Rodrigo Janot, para que sejam por ele  oficialmente encaminhadas aos ministros. De acordo com o Ministério  Público Federal, os ministros devem tornar sem efeito a portaria de  nomeação ou promover a exoneração de Oliveira, caso já tenha acontecido a  posse.

Também foi enviada recomendação a Neuvaldo  Oliveira para que não tome posse ou peça exoneração do cargo. Foi  concedido o prazo de dez dias para resposta.

Defesas

O  Ibama, por meio de sua assessoria de imprensa, informou que Oliveira  não tomou posse. A reportagem ligou para o celular de Oliveira diversas  vezes e não conseguiu contato. Foram pedidos posicionamentos aos  ministérios da Casa Civil e do Meio Ambiente. O espaço está aberto para  manifestações.

O presidente da Ascema-BA, Alberto  Gonçalves, afirmou que o Ibama é “órgão técnico e não político”. “Os  servidores de carreira do órgão têm há muito tempo reivindicado que  técnicos da casa, funcionários de carreira assumam cargos estratégicos”,  declarou.

“Com negociação de impeachment da (presidente  afastada) Dilma, houve essa divisão de bolo para quem deu apoio. Coube  ao PV nomear ao Ibama”, continuou, ressaltando que quando era prefeito  em Caravelas, em 2006, Oliveira “sofreu multa por danos ambientais” que  ainda não foram pagas. Segundo o presidente da Ascema da Bahia, o valor  consolidado está em R$ 133.139,21. “Respeitem esse órgão e coloquem um  servidor de carreira”, finalizou Gonçalves.