22/02/2011 - 8:02
Os principais países produtores e consumidores de petróleo e gás assinaram nesta terça-feira em Riad um acordo para reduzir a volatilidade dos mercados, num momento no qual os preços do barril disparam devido às revoltas no mundo árabe.
Embora a reunião de Riad não tenha abordado diretamente o impacto sobre a revolta na Líbia, vários ministros da Opep declararam que o cartel estava disposto a agir em caso de escassez, considerando, de qualquer forma, que até agora não havia problemas deste tipo.
Os signatários da carta, cerca de 90 países que representam 90% da demanda e da produção de petróleo e gás no mundo, comprometeram-se a reforçar o diálogo para aumentar a transparência e a estabilidade dos mercados energéticos.
Preparada sob o patrocínio do Fórum Internacional de Energia (IEF, em inglês), a carta estabelece o compromisso de coordenar políticas e esforços para combater a volatilidade através, por exemplo, de maior confiabilidade do setor.
“No total, 87 Estados já avalizaram a carta do IEF e nos reunimos hoje para confirmar oficialmente sua aprovação”, disse o príncipe Abdelaziz ben Salman ben Abdelaziz, vice-ministro saudita do Petróleo.
“Esta carta trará uma clara melhoria no diálogo e na cooperação entre as diferentes partes”, reforçando o papel e a importância do Fórum, disse, por sua vez, o ministro saudita Ali al Nuaimi.
O IEF reúne de forma regular há 20 anos os ministros da Organização dos Países Exportadores de Petróleo (OPEP) e dos países consumidores da Agência Internacional de Energia (AIE), aos quais somam-se Rússia, China, México, Brasil e outros países em desenvolvimento.
O princípio de uma carta deste tipo foi decidido durante a 12ª edição do Fórum, em março de 2010 em Cancun (México). Desde então, houve várias reuniões conjuntas da AIE e da OPEP para finalizar o texto.
“No passado, falava-se do IEF como um grande fórum de discussões” sem realizações substanciais, “mas com esta carta, dispomos de uma agenda formal e de um caminho muito mais claro”, com a prioridade de “estabilizar os preços”, disse o ministro britânico de Energia, Charles Hendry.
Efetivamente, a questão crucial da regulação dos mercados energéticos faz parte, a partir desta terça-feira, das discussões entre produtores e consumidores.
A carta adotada nesta quinta-feira “dará um sinal positivo” porque abrirá caminho a políticas mais ajustadas em escala mundial em um âmbito mais formal, estimou o ministro de Petróleo do Kuwait, o xeque Ahmad Abdullah al Sabah.
Se o diálogo no Fórum dispõe agora de um quadro mais orgânico, o compromisso político que a carta representa não é “em nenhum caso juridicamente vinculante” para os Estados signatários, informa a primeira parte do texto.
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