08/10/2026 - 16:38
Mais de 3.500 trabalhadores foram demitidos por empresas de apostas após a edição da medida provisória que proibiu a operação das bets no Brasil, informou a Associação Nacional de Jogos e Loterias (ANJL). O levantamento é parcial e reúne dados enviados pelas próprias companhias.
Os desligamentos representam 23% da força de trabalho do setor, de acordo com a entidade. Outros 4.167 funcionários estão em férias coletivas.
ANJL prevê novos desligamentos no setor de apostas
A pesquisa considera demissões e encerramentos de contratos desde o anúncio da medida, em 25 de setembro. Os números foram divulgados em 7 de outubro, quando terminava o prazo para as empresas encaminharem informações.
A ANJL estima que os cortes possam aumentar nos próximos meses. Parte dos empregados em férias coletivas poderá ser desligada caso a paralisação das atividades seja mantida.
A entidade aguarda o julgamento das ações que questionam a medida provisória, sob relatoria do ministro Luiz Fux, no Supremo Tribunal Federal.
Falta de faturamento pressiona empresas
Bernardo Freire, consultor jurídico da ANJL, afirmou ao Poder360 que as empresas autorizadas estão com as operações paralisadas. Sem faturamento, enfrentam dificuldades para sustentar o capital de giro necessário à continuidade da atividade.
Na avaliação dele, a falta de previsibilidade sobre a retomada das operações é o principal fator por trás das demissões.
O impacto pode alcançar fornecedores de publicidade e meios de pagamento. Empresas de compliance e veículos especializados integram igualmente a cadeia de serviços dependente das operadoras.
Freire afirmou que investimentos publicitários previstos para 2027 já foram retirados das projeções das agências.
Sindibets busca alternativas para preservar empregos
O Sindibets-SP informou que representa as operadoras no diálogo com o sindicato dos trabalhadores. O objetivo é negociar alternativas para preservar postos de trabalho e reduzir os efeitos da medida sobre empresas e profissionais.
A entidade defende medidas transitórias que ampliem a previsibilidade para o setor. Caso novos desligamentos sejam inevitáveis, afirmou que buscará sua realização dentro da legislação e dos instrumentos negociados coletivamente.
Efeito das apostas sobre a renda compõe o debate
O governo e economistas que defendem a restrição argumentam que as apostas retiram recursos que poderiam ser destinados ao consumo em outras atividades.
O Boletim Fiscal dos Estados Brasileiros apontou perda de renda das famílias com apostas em 2025. O relatório registrou ainda redução no ritmo das transações após a restrição imposta a beneficiários do Bolsa Família naquele ano.
O debate reúne, portanto, os efeitos sobre o emprego nas operadoras e a destinação da renda dos consumidores. Os desligamentos informados pela ANJL permanecem parciais, enquanto a continuidade das atividades depende do desfecho das ações contra a medida provisória.
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