O ano para os investidores começa com um ar de história já vista. Exatamente como acontecia doze meses atrás, os administradores de fundos de investimento apostam que, para 2001, a bolsa de valores tem tudo para chegar ao fim do ano na posição de líder dentre todas as opções para a aplicação de dinheiro no País. Os indicadores favoráveis ao investimento em ações, como naquela época, não faltam. Os juros vivem em queda, a economia dos Estados Unidos parece caminhar para uma desaceleração suave e as empresas brasileiras apresentam indícios de estar com boa saúde financeira. O que faz a diferença entre janeiro de 2001 e do ano passado? Muito além do conjunto de números macroeconômicos, o fator que deverá fazer a balança pender a favor dos fundos de renda variável este ano é que, dessa vez, o período começa com os preços das ações fortemente em baixa. Após a queda de 10% sofrida no ano passado pelo Ibovespa, os gestores de fundo acreditam que chegou a hora da forra da bolsa.

Reinaldo Gonçalves, diretor de investimento e poupança do BankBoston, prevê que o movimento será forte tanto na bolsa brasileira quanto nas americanas, que sempre servem de referência para o resto do mundo. ?É o destaque para o ano?, arrisca. Na base de tudo está a queda dos juros nos Estados Unidos, que dá novo impulso à economia e às bolsas americanas e ainda abre espaço para o corte dos juros também no Brasil. Muito dinheiro deverá migrar para o mercado acionário, acredita, em conseqüência da provável perda de rentabilidade nas aplicações de renda fixa e também da expectativa de que o câmbio tenha um ano estável, devido a captações de dinheiro no exterior feitas pelo governo e por empresas privadas. As projeções de que haja bons lucros e alta geração de caixa nas companhias brasileiras aumentam o charme dos fundos de ações.

Especialistas avisam que o risco do investimento, porém, é ainda tão alto quanto foi em qualquer momento dos últimos anos. O pouso suave da economia americana ainda não é uma realidade, e, por isso, alguma volatilidade ainda deverá acontecer no caminho. O fundo de ações campeão do ranking de doze meses, o Focus, da Sul América Investimentos, acabou o período com um espantoso retorno de 72%, apesar de a bolsa ter caído, porque acertou, nos piores momentos, ao manter na carteira ações que variam pouco de preço ? e que, por isso, sofreram menos na baixa. E, nos períodos de alta, o fundo esteve sempre com ações dentre as que se descolam mais do Ibovespa, que se beneficiaram mais com a subida do mercado. O responsável pelo fundo, Leopoldo Barreto, prevê um 2001 menos turbulento, mas ainda enxerga oportunidades. ?A Lei das S/A ainda pode valorizar as ações ON. Mas as melhores oportunidades ainda vão estar concentradas em ações de telefonia fixa?, aposta.