O promotor Cássio Conserino, que integra a equipe do Ministério  Público de São Paulo que denunciou o ex-presidente Luiz Inácio Lula da  Silva, sua mulher e seu filho Fábio Luiz Lula da Silva por lavagem de  dinheiro e falsidade ideológica, se recusou a falar se foi requerida a  prisão preventiva de Lula. “Só vamos falar sobre a denúncia”, disse  durante entrevista coletiva nesta quinta-feira, 10.

Questionado  se houve algum pedido à Justiça criminal para medida cautelar, o  promotor insistiu. “Só vamos falar sobre a denúncia.”

Na  denúncia apresentada nesta quarta-feira, 9, são acusados 16 investigados  pela Promotoria paulista. Além de Lula, são denunciados a  ex-primeira-dama Marisa Letícia, o filho mais velho do casal Fábio Luiz  Lula da Silva, o Lulinha, e mais 13 investigados. Na lista estão o  ex-tesoureiro do PT João Vaccari Neto, o empresário Léo Pinheiro, da  empreiteira OAS, amigo de Lula, e ex-dirigentes da Cooperativa  Habitacional dos Bancários (Bancoop).

A Promotoria sustenta  que o petista cometeu os crimes de lavagem de dinheiro e falsidade  ideológica ao supostamente ocultar a propriedade do imóvel –  oficialmente registrado em nome da OAS.

A acusação tem base  em longa investigação realizada pelos promotores Cássio Conserino e  José Carlos Blat. O promotor afirma ter indícios de que houve tentativa  de esconder a identidade do verdadeiro dono do tríplex, o que, segundo  ele, caracteriza lavagem de dinheiro.

A investigação  mostrou que a empreiteira OAS bancou uma reforma sofisticada do  apartamento, ao custo de R$ 777 mil. Segundo o engenheiro Armando Dagre,  sócio-administrador da Talento Construtora, contratada pela OAS, os  trabalhos foram realizados entre abril e setembro de 2014.

Em  2006, quando se reelegeu presidente, Lula declarou à Justiça eleitoral  possuir uma participação em cooperativa habitacional no valor de R$ 47  mil. A cooperativa é a Bancoop que, com graves problemas de caixa,  repassou o empreendimento para a OAS.

Lula apresentou sua defesa por escrito no inquérito da Promotoria. O petista afirma que não é o dono do tríplex.