Manifestantes se reuniram para protestar nesta quarta-feira (28) em uma localidade da Califórnia, após a polícia matar a tiros um homem negro desarmado que agia de forma errática.

O homem de 30 anos, identificado por um familiar como Alfred Olango, nascido na Uganda, foi morto na terça-feira (27) no subúrbio de El Cajón, 24 km a leste de San Diego, após a polícia receber uma chamada avisando sobre um indivíduo que agia de maneira errática e caminhava entre os automóveis.

O incidente registrado é o último de uma série de mortes de afro-americanos por policiais que vêm gerando indignação por todo o país.

Os agentes policiais se depararam com o homem não identificado atrás de um restaurante depois de receber relatos de alguém que “agia fora de si” e caminhava em meio aos carros, disse a polícia de El Cajón em um comunicado.

O homem, que balançava para frente e para trás, não acatou a ordem de tirar a mão do bolso, acrescentou.

De acordo com a versão da polícia, em determinado momento os agentes tentaram falar com o homem, e “rapidamente ele retirou um objeto do bolso dianteiro de sua calça, juntou suas mãos e as esticou em direção ao oficial, no que pareceu ser uma posição para atirar”.

O chefe da polícia, Jeff Davis, não descreveu o objeto, mas disse em uma coletiva de imprensa que não foi recuperada uma arma de fogo.

O agente para quem o homem apontava atirou “várias vezes”, enquanto um segundo policial disparou simultaneamente seu Taser, indicou a polícia, que divulgou uma imagem recuperada de um vídeo que mostrava um homem aparentemente apontando uma arma ao policial.

Um protesto para pedir “justiça por Alfred Olango” foi convocado nesta quarta-feira em frente à delegacia de polícia de El Cajón, enquanto Davis pedia aos moradores que mantivessem a calma, destacando que há uma investigação em curso.

“Isso será transparente. Será visto por muitos olhos e não só pelos nossos”, assinalou o chefe de polícia em uma nova coletiva de imprensa.

Um vídeo feito após o tiroteio e divulgado no Facebook mostra uma mulher que se identificou como a irmã de Olango.

A mulher diz no vídeo que pediu à polícia que ajudasse seu irmão, que estava mentalmente doente.

“Vocês veem e matam meu irmão”, diz a mulher no vídeo, que já foi visto 82.000 vezes desde a manhã desta quarta-feira. “Eu pedi a eles que ajudassem meu irmão. Mataram meu irmão na minha frente”, acrescentou.

Pouco depois que o homem foi morto, cerca de 100 manifestantes se reuniram, acusando a polícia de disparar sem advertência.

“Três policiais saíram com as armas na mão e atiraram cinco vezes”, disse Rumbideai Mubaiwa, uma manifestante, à emissora local KUSI.

“Ninguém advertiu, ou disse para que ficasse quieto, que parasse, nada. Outro negro desarmado morto”, acrescentou.

A morte de homens negros por policiais provocou protestos em todos os Estados Unidos, os últimos deles em Charlotte, Carolina do Norte (sudeste do país), na semana passada.

Lá, a morte de Keith Lamont Scott, de 43 anos, provocou vários dias de manifestações, obrigando o governador do estado a declarar estado de emergência e mobilizar a Guarda Nacional.