Violentos incidentes ocorreram nesta quinta-feira ao final de uma manifestação que reuniu mais de 120 mil pessoas em Bruxelas para protestar contra as medidas de austeridade do novo governo de direita.

“Dezenas de policiais ficaram feridos, dois gravemente”, informou o comissário Christian De Coninck, precisando que cerca de 30 manifestantes foram detidos.

A Cruz Vermelha revelou ter socorrido 36 pessoas no local e que outros 24 feridos foram levados para hospitais, sem detalhar a gravidade dos ferimentos.

Os confrontos explodiram no final do protesto, quando um “grupo de estivadores bêbados”, segundo o comissário De Coninck, saíram da passeata para “atacar as forças da ordem”.

Os estivadores lançaram pedras, garrafas e rojões contra os policiais, que responderam com jatos d’água e bombas de gás lacrimogêneo.

Entre 120.000 e 130.000 pessoas responderam à convocação dos sindicatos, que qualificaram o protesto como o mais importante dos últimos 30 anos na Bélgica.

A manifestação é a primeira resposta sindical ao programa de reformas econômicas e sociais anunciado pelo primeiro-ministro Charles Michel, que lidera uma coalizão de direita.

Os sindicatos estão programando um sistema de greves por rodízio nas províncias nas próximas semanas e uma paralisação geral em 15 de dezembro em todo o país.

A oposição socialista, os ecologistas e a extrema-esquerda denunciam em particular a decisão de desindexar os salários e subsídios sociais da inflação a partir de 2015.

A outra medida criticada é adiar até os 67 anos a idade mínima de aposentadoria a partir de 2030, contra 65 atualmente.

Os cortes também afetam setores específicos como a cultura, os funcionários públicos e a pesquisa. No total, o governo espera economizar 11 bilhões de euros.