07/04/2015 - 13:00
Diante da crise política e econômica que abate o governo da presidente Dilma Rousseff, o Partido dos Trabalhadores (PT) recorre a uma fórmula mais do que manjada: os marqueteiros. A legenda acaba de lançar uma campanha publicitária. A primeira peça, com 30 segundos, porém, mostra que o partido está mais preocupado em salvar a própria pele, do que defender Dilma. O motivo é que sua grande impopularidade já contamina o PT e até mesmo a sua estrela maior, o ex-presidente Luiz Inácio Lula da Silva. Com isso, nem Dilma, nem Lula, são sequer citados no vídeo recém-lançado.
Apresentado como parte da estratégia de mobilização para a quinta convenção nacional do PT, que será realizada em junho em Salvador, o vídeo chama a atenção também por outros pontos. Em vez de se dirigir à militância, tradicional esteio do PT, a peça convoca “todos os brasileiros” para rediscutir seus rumos.
Além disso, a peça relembra a fase “paz e amor”, idealizada pelo marqueteiro Duda Mendonça para a campanha vitoriosa de Lula, em 2001. Após rachar o País para reeleger Dilma, em outubro, o PT ainda sente os custos da invenção do “nós contra eles”, em que a “elite branca” era a responsável pela oposição ao governo e pelas mazelas nacionais. Depois das manifestações de 15 de março contra o governo, da forte queda do apoio à presidente e às vésperas de novos protestos, marcados para 12 de abril, o PT busca um novo tom em seu discurso.
Na peça, o partido ainda flerta com a idéia de que só os rancorosos com os avanços sociais se opõem. A diferença é que, ao contrário das últimas campanhas, o narrador adota um tom amigável e nenhuma classe social ou partido político é atacado em particular. “Tem gente que vê motivos para odiar o PT”, diz. O motivo para o ódio seria o fato de o partido “governar para todos, e não para poucos”. E prossegue: “colocamos negros e pobres nas faculdades, nos aviões e na posse de seus direitos.”
Com petistas de alta patente envolvidos na Operação Lava Jato, que desbaratou um bilionário esquema de corrupção na Petrobras, envolvendo políticos, empreiteiras e doleiros, a legenda tenta transformar os limões em limonada: afirma que seu governo prendeu “mais gente importante” por corrupção do que em todos os outros. E diz que “só quem é contra tudo isso” é que o odeia. “Mas o PT tem motivos de sobra para seguir amando e lutando pelo Brasil”, afirma o narrador. Mas, como já afirmou Camões, em um de seus famosos sonetos: o amor pode ser um solitário andar por entre a gente. Que o digam as pesquisas de opinião.
Assista ao vídeo:
