17/05/2016 - 15:52
O novo presidente do Banco Central (BC) do governo Temer, Ilan Goldfajn, terá que desarmar uma bomba-relógio em pouco tempo, a das taxas de juros praticadas no Brasil.
O portal da DINHEIRO listou quais são os problemas e as soluções para o novo presidente do BC. Confira:
Por que o Brasil precisa baixar rapidamente a taxa de juros?
Porque cada ponto percentual a mais de juros há um custo de R$ 30 bilhões aos cofres públicos em média, por ano. Isto equivale ao orçamento anual do Bolsa Família, para se ter uma ideia.
Quanto está a taxa de juros hoje?
Durante seis reuniões seguidas, o Comitê de Política Monetária do BC (Copom) estacionou a Selic – o juro básico da economia – em 14,25% ao ano.
O próximo encontro do Copom está agendado para os dias 7 e 8 de junho, agora sob o comando de Ilan, que, em abril deste ano, disse que “em algum momento, o BC deverá reduzir os juros, ratificando essa trajetória de queda da inflação, provavelmente ainda este ano.”
Vale lembrar que o centro da meta de inflação fixada pelo governo é de 4,50% ao ano.
Por que a taxa de juros é tão alta?
Porque o governo precisa financiar sua dívida pública, os títulos que o governo emite para pagar os papéis que estão sendo resgatados, ou seja, que estão vencendo, e também para financiar empréstimos.
De certa forma representa o dinheiro para tapar o buraco do gasto do que o governo faz em relação ao que arrecada. A expectativa do governo é que a dívida pública fique entre R$ 3,1 trilhões e R$ 3,3 trilhões no fim de 2016. Ao fim de 2015, ela era de R$ 2,79 trilhões. A previsão está do Plano Anual de Financiamento (PAF) de 2016.
A inflação também interfere nos juros?
Sim, e muito. Para controlar a inflação, o novo presidente do BC terá que dosar a taxa de juro. Mas há um detalhe que os economistas apontam: existe uma tendência de queda na inflação medida pelo Índice de Preços ao Consumidor Ampliado (IPCA).
No último relatório Focus do BC – com base em dados do mercado financeiro – a inflação estimada do IPCA, para o período de 12 meses, é atualmente de 6,09% (era de 6,38% há quatro semanas e vem caindo). Isto porque há menos pressão inflacionária agora, depois que praticamente se abateu da conta da inflação os itens administrados pelo governo no ano passado, como gasolina, energia elétrica e transporte público.
Isto quer dizer que há espaço para que o juro caia?
Sim e já deveria ter sido feito na visão de muitos economistas. A taxa Selic descontada a inflação – a chamada taxa de juro real – no Brasil é uma das maiores do mundo.
Qual o efeito de uma taxa de juros tão elevada no bolso do trabalhador?
Tudo fica mais caro e a roda da economia não gira. Segundo a Associação Nacional dos Executivos de Finanças, Administração e Contabilidade (Anefac), os juros dos financiamentos para pessoas físicas e jurídicas estão, na média, no maior patamar desde novembro de 2003. E a perspectiva é de que esses juros não caiam tão cedo.
O que, segundo economistas, o presidente Ilan Goldjan pode fazer para acelerar a queda nos juros?
O BC é somente o instrumento do governo para execução da política monetária e fiscal. Sem reformas estruturais que diminuam a dívida pública, como a da Previdência, a margem de manobra de Ilan Goldjan e sua equipe é restrita.
Mas há muito o que fazer para a redução dos spreads bancários – a diferença que se cobra entre a taxa Selic e o empréstimo dado ao consumidor.
Para se ter uma ideia dessa diferença, segundo a Anefac, considerando-se todas as elevações Selic desde março de 2013, houve uma elevação de sete pontos percentuais de 7,25% para os atuais 14,25%.
Neste período, a taxa de juros média para pessoa física apresentou uma elevação de 62,45 pontos percentuais, de 87,97% ao ano em março de 2013 para 150,42% ao ano em abril de 2016.
