09/11/2001 - 8:00
Você sabe o nome da empresa que produz um em cada sete laptops vendidos no mundo? Sabe que o país onde ela está instalada detém 60% da produção mundial? Pois saiba que a empresa é a Quanta, de Taiwan, que vive (e muito bem!) de fabricar sob encomenda para outras empresas, com as marcas delas. Não há na lista das maiores companhias de PC do mundo ? HP, Compaq, Dell, Apple… ? quem não tenha fechado um contrato com a Quanta para a produção de notebooks. E o mais extraordinário: a empresa vem crescendo mesmo no cenário desfavorável que acompanhou o desaquecimento da economia americana ao longo de 2001. Isso porque, com a crise, muitas companhias ocidentais e japonesas optaram por dar novo impulso à terceirização de suas atividades menos rentáveis. Com isso, a Quanta rapidamente assumiu a dianteira no mercado de laptops. A receita esperada para este ano é de US$ 3,6 bilhões, 50% superiores à do ano passado.
Redução de custos. A migração de linhas de produção para a Ásia não é um fenômeno recente. Há quatro anos, as margens mirradas na produção de notebooks já incomodavam os fabricantes ocidentais e obrigaram muitos a terceirizar a produção. Empresas taiwanesas como Compal e Arima cresceram no que, no jargão industrial, é conhecido como OEM, Original Equipment Manufacturer. Hoje as companhias taiwanesas fabricam 6 em cada 10 notebooks comercializados no mundo, contra 32% em 1997. Para as companhias americanas ficou a fatia mais rentável: o design. A Compaq, por exemplo, nunca abriu mão de desenhar seus laptops em casa, embora a produção tenha ido para o exterior. Os modelos mais simples e populares ela monta em sua fábrica em Jaguariúna, no interior de São Paulo. Os mais sofisticados, contudo, são encaminhados para a Quanta. ?A escala deles é mundial?, diz Hugo Valério, diretor de assuntos corporativos da Compaq do Brasil. No ano passado, a companhia começou a se embrenhar na produção de telefones celulares, que prometem se tornar o principal meio de acesso à Internet. ?O futuro está nos aparelhos sem fio?, diz Michael Wang, vice-presidente executivo da Quanta.