18/01/2002 - 8:00
O Napster está de volta. O serviço que permite a troca de músicas entre usuários da rede retornou do ostracismo em uma versão teste para 20 mil usuários. Contudo, em vez de permitir a troca gratuita de canções e despertar a ira das gravadoras, a nova versão do Napster irá cobrar pela maioria de seu acervo. Para cada 50 faixas que baixar da rede, o usuário desembolsará entre US$ 5 e US$ 10. O lançamento é parte de um movimento que surgiu no final do ano passado e que deve dar muito o que falar. ?Nos próximos 12 meses, uma série de portais e empresas de mídia vão se posicionar para oferecer conteúdo de áudio e vídeo por assinatura?, diz Ricardo Citale, vice-presidente da RealNetworks para a América Latina. A empresa, que tem um software para escutar música no PC, se uniu a AOL, Bertelsman e EMI e estreou o MusicNet, que oferece canções e cobra uma mensalidade de US$ 9. Outra companhia que também cobrará por mês é o PressPlay, da Vivendi Universal e da Sony e que ganhará versão em português no segundo semestre dentro do portal do Yahoo. Sites brasileiros como Vírgula, MSN, Usina do Som, Musical MPB e iMúsica cobram atualmente R$ 1,80 por canção.
Um detalhe, porém, pode comprometer todo o show. Para que qualquer iniciativa de comércio tenha êxito, é indispensável que os consumidores estejam interessados em gastar parte de seus salários nela. Sem eles, os arquivos digitais podem simplesmente encalhar nos servidores das gravadoras. Uma enquete feita pelo instituto de pesquisa virtual Qualibest, feita com exclusividade para a DINHEIRO, mostrou que apenas 19% deles aceita a idéia de pagar R$ 1,80 por uma canção na rede. Ainda segundo a pesquisa, apenas 11% concorda em arcar com uma mensalidade de R$ 20. A razão para índices tão baixos é evidente: sites como Audiogalaxy, Morpheus, Grokster, OpeNap, KaZaa, MusicCity, iMesh e Gnutella satisfazem o apetite de uma legião de usuários gratuitamente. ?Não há como cobrar e ter toda a música do mundo de graça na porta mais próxima?, disse Michael Robertson, presidente do site MP3.com. Com os serviços piratas ? e sem o Napster ? a troca de música on-line ficou mais popular do que nunca. Hoje, quase todos estão sendo processados pelas gravadoras, interessadas em garantir suas fontes de receitas.
A guerra só será vencida se os selos levarem a melhor nessa batalha contra os serviços gratuitos. O instituto Qualibest perguntou se os entrevistados estariam dispostos a pagar por músicas na internet caso os serviços que fazem isso gratuitamente parassem de funcionar. A reação teve uma ligeira melhora, com apenas 27% de respostas afirmativas. Contudo, se forem consideradas apenas as pessoas que alguma vez já baixaram canções na rede, o número sobe para 41%. ?São pessoas que gostam do serviço e percebem que ele tem um certo valor?, diz Daniela Daud, diretora comercial do Qualibest. ?O comércio de música on-line ainda vai crescer muito?, diz Rodrigo Raposão, gerente do Vírgula, site da Jovem Pan comandado por Luís Calainho. O site começou modestamente negociando 10 músicas por semana. Hoje vende 300. ?Quem está investindo agora vai colher os frutos mais para a frente?, diz ele.