Quase metade das mulheres em idade de trabalhar estão fora das estatísticas do mercado de trabalho. De acordo com estudo da pesquisadora do Instituto Brasileiro de Economia da Fundação Getúlio Vargas (FGV IBRE), Isabela Duarte Kelly, 47% das brasileiras em idade de trabalhar não estão nem ocupadas nem procurando emprego. Para os homens essa taxa é de 28%. O estudo se baseou nos números da Pesquisa Nacional por Amostra de Domicílios Contínua (PNADC/ IBGE)

Os motivos pelos quais os homens não estão no mercado de trabalho são diferentes dos das mulheres. A principal razão pela qual elas não estão ativas é devido ao trabalho não pago de cuidados e de afazeres domésticos, sendo essa resposta dada por 31% das mulheres. Apenas 3% dos homens deram a mesma justificativa.

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O segundo principal motivo é serem jovens ou idosas demais para trabalhar, com 23%, seguido de problemas de saúde ou gravidez, com 16%.

No caso deles, os motivos para não estarem no mercado de trabalho variaram entre 2012 e 2025. Em 2012, o principal motivo era devido aos estudos, com 27%, seguido de ser muito jovem ou muito idoso, com 23%. Em 2025, o principal motivo é ser muito jovem ou muito idoso, 28%, seguido de problemas de saúde, 23%.

Motivo pelo qual não procurou trabalho, não gostaria de ter trabalhado ou não estava disponível para iniciar um trabalho, 2025

“Fica claro a partir dos dados analisados que o trabalho de cuidados impacta diretamente a inserção das mulheres no mercado de trabalho. Cabe lembrar que elas dedicam quase o dobro do tempo que eles a essas tarefas semanalmente”, aponta o relatório do estudo.

Mulheres recebem 21% a menos

A pesquisa também aponta que em 2025 as mulheres receberam em média 21% a menos que os homens. Esse número atinge 40% levando em conta somente as mulheres negras.

Nos setores econômicos que as mulheres são maioria a diferença é ainda maior que a média. Nas atividades de alojamento e alimentação; educação, saúde humana e serviços sociais; outros serviços; indústria geral e comércio as diferenças salariais são, respectivamente, de 26%, 39%, 37%, 26% e 27%.

Já entre grupos operacionais, os cargos de diretores e gerentes, que oferecem os melhores salários, também apresentam uma diferença maior que a média, de 29%. As maiores diferenças estão nos grupos de ‘Profissionais das ciências e intelectuais’, com 37%; ‘Trabalhadores dos serviços, vendedores dos comércios e mercados’, com 35%; e ‘Trabalhadores qualificados, operários e artesãos da construção, das artes mecânicas e outros ofícios’, com 33%.