O menor volume de vendas da Marfrig Beef Brasil no último trimestre de 2015 foi compensado pelo melhor preço médio e aumento do mix de vendas, além da expansão das exportações da companhia, afirmou Andrew Murchie, CEO da Marfrig Beef Brasil, durante reunião com investidores, nesta segunda-feira, 29, em São Paulo. “Em 2015, apenas 41% esteve focado no mercado brasileiro, o que reflete a estratégia de expansão”, afirmou o executivo.

A receita líquida da operação brasileira foi de R$ 2,1 bilhões representando 78% do total da receita da unidade, uma retração de 4,4% em relação ao último trimestre de 2014. Já as operações internacionais, representaram 22% da receita total e totalizaram R$ 601 milhões, 30,1% acima de igual período de 2014, influenciado pela desvalorização do real, segundo o executivo.

As exportações no período responderam por 52% da receita líquida total do Brasil, impulsionada pelo câmbio e também pela abertura de novos mercados. A Marfrig foi uma das empresas que habilitaram novas unidades para China no ano passado. “Se incluirmos Hong Kong, a China foi o mercado número um em dezembro”, afirmou.

Em relação ao abate, a Marfrig Beef Brasil reduziu em 12,9% a operação em 2015, ante 2014. Essa queda representa a redução de 333 mil cabeças em um total de 2,5 milhões. Segundo o executivo, esta retração representa a decisão estratégica da empresa de reduzir temporariamente sua capacidade de abate no País, como uma forma de se proteger da menor disponibilidade de animais terminados.

Dívida

O diretor-presidente (CEO) global da Marfrig Global Foods, Martin Secco, disse que a empresa está trabalhando com uma operação mais simples e focada, ainda altamente globalizada. “Temos aproximadamente 60% da nossa receita focada no exterior. O mercado doméstico representa 21%”, afirmou Secco, em entrevista com jornalistas sobre os resultados do quarto trimestre de 2015.

Ele ressaltou que, pelo terceiro ano consecutivo, a empresa cumpriu com o guidance apresentado ao mercado. O executivo afirmou que a empresa continua empenhada em reduzir sua dívida. “Um compromisso que assumimos foi seguir com o processo de reestruturação da dívida, com a continuação de nossa decisão de vender ativos estratégicos . Esse compromisso obviamente continua e dá a empresa uma posição de caixa de liquidez extremamente positiva”, disse.

Secco informou, ainda, que a Marfrig ainda não completou a operação de venda dos ativos na Argentina. Segundo ele, a negociação com uma empresa estrangeira – não revelada – continua, mas que foi atrasada por burocracias em relação ao governo argentino.