quemyork1.jpg 

1. Sir David Tang e Mario Garnero 2. Nizan Guanaes, Bia Aydar e Mario Bernardo 3. Mario Garnero, Bill Rhodes e Susan Segal 4. Priscila Fantin, Bill Clinton e Mario Garnero 5. Governadores de MS, SC, RS, TO e AP 6. Naomi Campbell

A MANCHETE DO JORNAL THE NEW YORK Times não deixa dúvidas. A era dos grandes automóveis está chegando ao fim. É sexta-feira, dia 2 de maio, e o jornal mais importante do mundo destaca no alto da primeira página: ?Custos com a gasolina disparam e consumidores correm em bandos para os carros pequenos?. Em abril, pela primeira vez na história, compactos e subcompactos alcançaram a fatia de 20% das vendas de veículos novos nos Estados Unidos. Com a alta do petróleo, que rompeu a barreira dos US$ 120 o barril na semana passada, o custo do combustível bateu no bolso do consumidor americano. Não poderia haver clima melhor para o Fórum de Desenvolvimento Sustentável 2008 ? nem para o Brasil, a estrela do evento.

Promovido em Nova York pelo empresário Mario Garnero e a Associação das Nações Unidas-Brasil, o Fórum reuniu homens e mulheres de negócio, políticos e artistas no edifício Cipriani Wall Street, pertinho da Bolsa de Valores de Nova York. O principal orador foi o ex-presidente Bill Clinton. Ele fez uma pausa na campanha da esposa, Hillary, para falar a dezenas de convidados brasileiros e americanos. O próprio Clinton elegeu o Brasil como o destaque do debate atual sobre sustentabilidade. ?Não se pode subestimar a importância do Brasil em resolver problemas?, afirmou. Como contraponto à malfadada gasolina, Clinton elogiou o etanol de cana brasileiro (leia entrevista na pág. 18). Momentos antes, foi assinado ali o protocolo para a construção de um alcoolduto entre os Estados de Tocantins, Maranhão e Piauí. Os governadores André Puccinelli (MS), Luiz Henrique (SC), Yeda Crusius (RS), Marcelo Miranda (TO) e Waldez Góes (AP) também foram a Nova York para a conferência ?Brasil, 27 países, uma Nação?, realizada na véspera pelo Fórum das Américas.

O Fórum Desenvolvimento Sustentável 2008 começou com uma provocação do empresário chinês David Tang, rei da seda e sócio de um império na área do consumo de luxo. A discussão sobre o aquecimento global e o desenvolvimento sustentável deve ser tratada com menos emoção, menos hipocrisia e mais razão econômica, defendeu. Os países ricos não podem agora impedir o desenvolvimento dos emergentes, como o Brasil, a China e a Índia, com base em temores de mudanças climáticas, argumentou. ?O mundo não vai acabar. Tampouco estamos fadados à extinção se nada fizermos agora para combater o aquecimento global. A adaptabilidade é a melhor coisa da raça humana?, disparou.

ALTA DO PETRÓLEO ASSUSTA AMERICANOS E VALORIZA O PAPEL DO ETANOL DE CANA

 

A voz dissonante contrastou com a mensagem próecologia das personalidades que subiram ao palco em seguida. Dentre elas, as atrizes Alice Braga e Patrícia Fantini. Virgílio Viana, diretor da Fundação Amazonas Sustentável, falou sobre o bolsa-floresta. A secretáriaadjunta de Estado, Paula Dobriansky, defendeu os investimentos americanos em novas tecnologias de geração de energia. ?Não podemos resolver sozinhos os problemas das emissões de carbono?, afirmou. Os Estados Unidos não ratificaram o protocolo de Kyoto, mas consumidores, assustados com os preços da gasolina e a recessão, começam a fazer a sua parte. Menos mal.