02/10/2002 - 7:00
A cena é comum. Quem chega a se intimidar com a situação, no mínimo, já viu alguém fazer. Não importa a quantia que será economizada, mas na hora de tirar o dinheiro do bolso para fazer uma compra à vista, é comum, o cliente pedir um desconto e conseguir fechar um bom negócio. O que pouca gente sabe é que a mesma estratégia da pechincha é eficiente também para reduzir os juros do financiamento do carro, do imóvel, dos eletrônicos. Enfim, em qualquer pagamento que incida as assustadoras taxas de remuneração dos empréstimos. ?Mostre para sua financeira que você encontrou um percentual mais baixo na principal concorrente. Assim, a chance de sair com uma proposta melhor é grande. Tem que pleitear?, ensina Miguel de Oliveira, vice-presidente da Anefac (Associação Nacional dos Executivos de Finanças).
A tática funciona. O empresário mineiro Flávio Corrêa sentiu no bolso o valor da barganha entre as taxas praticadas no mercado. Ele fez um verdadeiro leilão da sua assinatura num contrato de financiamento. Colocou na disputa quatro financeiras concorrentes. Ouvia a proposta de uma e questionava a outra. Dessa forma, reduziu os juros em 100%. Iniciou com 7% e terminou em 3,5%. Além disso, usou outros argumentos que são considerados como valiosas moedas de negociação. ?Mostrei que já fiz grandes empréstimos jurídicos, nos quais a inadimplência é mais elevada, e nunca atrasei uma parcela?, diz Corrêa. No final, exibiu os seus patrimônios, que serviram como trunfo de bom pagador. Assim, ele economizou R$ 8 mil na sua nova casa de praia.
Mais barato. A economia pode ser maior ainda. O vice-presidente da Anefac fez as contas. Considerou a seguinte situação: a compra de um carro de R$ 50 mil financiado em 24 parcelas e com uma entrada de R$ 10 mil. Em geral, os juros de crédito direto ao consumidor variam de 8% a 2%. Então, numa pesquisa rápida, é fácil eliminar as taxas mais elevadas, mas isso não basta. Na proposta mais em conta (2%), os pagamentos mensais seriam R$ 2,14 mil por mês, totalizando R$ 60 mil. Se fizer uma contraproposta, garante Oliveira, é fácil conseguir 1,8%, o que resulta numa diferença de quase R$ 2 mil. ?Não desista na primeira redução?, diz Oliveira. Segundo suas pesquisas, algumas financeiras oferecem até 1%
para este tipo de empréstimo. Com isso, o mesmo carro pode
sair por R$ 55 mil. Ou seja, R$ 5 mil mais barato. Em geral, os
bancos e financeiras trabalham com uma taxa padrão. Mas,
agora, os gerentes estão autorizados a conceder exceções.
Para se ter uma idéia de como funciona o negócio de juros,
basta observar a cobrança do cheque especial. Na carteira
de clientes do Bradesco, por exemplo, o valor varia de 2% a 10% pelo mesmo tipo de empréstimo. ?Se descobrir que você paga mais caro do que a média, ligue para o gerente e exija as mesmas condições?, sugere Oliveira.