04/08/2001 - 7:00
Desde que começou a expandir fortemente em meados da década de 90, o varejo brasileiro de PCs tem visto a ascensão e a queda de várias empresas efêmeras. Companhias como FiveStar e Tropicom surgiram no horizonte, conquistaram lugar nas prateleiras dos supermercados, galgaram posições no ranking de vendas e, dois ou três anos mais tarde, sumiram ? deixando lojas com estoques encalhados e usuários mendigando por assistência técnica. Hoje, porém, parece existir uma exceção na área. Resistindo há 17 anos, nove dos quais no mercado de microcomputadores, a paulistana Metron se destacou entre os fabricantes de preço baixo e conquistou uma liderança sólida no varejo. Com planta na região sul da capital paulista, a companhia hoje detém 65% da chamada ?linha de frente? e é a terceira colocada nas vendas totais. Agora, a Metron dá um passo para conquistar o mercado corporativo. Nos últimos três meses, lançou produtos mais potentes e uma linha de servidores para empresas. Uma campanha intensa foi iniciada na mídia impressa e no mês que vem estará na tevê. ?Devemos comemorar os 18 anos com 35% das vendas sendo feitas para empresas?, diz Cássio Fernandes Augusto, diretor comercial e de marketing da Metron.
Depois de trabalhar sete anos na Acer, Augusto é uma peça importante da mudança na Metron. No início do ano, ele migrou para a fabricante e levou oito integrantes da sua equipe. Sob seu comando, a Metron lançou micros equipados com os microprocessadores Pentium III e Pentium 4 da Intel, que atualmente estão entre os mais requisitados no mundo corporativo e são o segmento que mais ganha espaço na linha de montagem. ?Estamos deixando de ser uma marca de supermercado para nos tornarmos um nome forte entre as empresas?, diz Augusto. Dois meses depois de virar o leme do barco, a Metron foi vitoriosa em licitações da Caixa Econômica Federal, do Banco Postal dos Correios e da Polícia Militar do Rio, num total de 7 mil computadores. ?Um sucesso mais rápido do que esperávamos no mundo corporativo?, afirma o executivo.
O êxito da cruzada vai depender da superação da imagem dos seus antecessores que deixaram o mercado a ver navios. Em 1998, a UIF, empresa nacional que chegou ao terceiro lugar nas vendas, encerrou as atividades. Em 1999, foi a vez da paulista FiveStar e da Tropicom fecharem as portas. ?Tivemos alguns problemas com o mercado e por isso olhávamos para eles com certa moderação?, diz João Luís Miranda, gerente de departamento de compras de informática do Carrefour. A rede começou a vender produtos Metron há um ano e na última semana esteve expondo seus micros na Fenasoft. ?Hoje temos segurança neles e constatamos que os consumidores não têm qualquer rejeição à marca.? Os PCs da Metron também estão expostos com destaque na Casas Bahia, Extra, Ponto Frio, Wal-Mart e Casas Pernambucanas. Com mais destaque, as vendas cresceram mais de 300% no ano passado. ?A Metron conquistou uma sólida confiança junto aos varejistas, que não a encaram como uma aventureira?, afirma o analista Ivair Rodrigues, do IDC Brasil.
Margem generosa. Com visibilidade nas prateleiras e credibilidade no mercado, a Metron começa a trilhar seu futuro. E a decisão de apontar para o segmento corporativo é compreensível. Mesmo competindo com Compaq, Itautec e todas as outras, a margem de lucro obtida numa negociação com outra empresa é muito mais generosa que uma venda num caixa de supermercado. No varejo, as grandes cadeias e as redes de lojas pressionam o preço dos fabricantes, o que comprime as margens de lucro. IBM e Itautec já experimentaram e desistiram desse canal de margens minguadas. ?Um movimento errado no varejo e você pode perder tudo o que investiu?, diz Augusto. Navegando em outra direção e com o executivo no timão, a Metron pretende que as vendas do varejo, que representam hoje entre 85% e 87% do total, dividam igualmente um espaço com as empresariais até o final do ano que vem. É o passo que falta para a Metron alcançar sua maioridade.