A julgar pelo total de gastos de seu gabinete, o ministro Pedro Malan é um exemplo a ser seguido. Até a quarta-feira 21, ele era um dos campeões da economia na Esplanada com despesas de R$ 494,4 mil. Menos de um quarto do que precisou o gabinete do ministro da Saúde, José Serra, para cobrir os custos e despesas de viagens de sua equipe. Os gastos totais foram de R$ 2,7 milhões. Esse valor é quase doze vezes inferior ao de outro presidenciável tucano, o ministro da Educação, Paulo Renato de Souza, que gastou R$ 32 milhões. A grande disparidade entre os números do Sistema Integrado de Administração Financeira (Siaf) ? o software desenvolvido para acompanhamento das despesas do Executivo ? tem justificativas. Gabinetes como os de Serra e Paulo Renato agregam vários órgãos da administração direta. Além disso, as regras atuais para o lançamento de informações no Siaf não incluem um padrão uniforme para a definição das despesas de cada gabinete ministerial. Os responsáveis de cada órgão podem optar, até mesmo, por deixar a rubrica gabinete vazia, como fazem o ministro das Relações Exteriores, Celso Lafer, e o das Comunicações, Pimenta da Veiga. Mas há ministros mais detalhistas, como o da Defesa, Geraldo Quintão, que divide gastos no Brasil e no Exterior. Na Cultura, cujos gastos do gabinete do titular Francisco Weffort não são especificados, sabe-se que a reforma do Palácio Gustavo Capanema, sede do órgão no Rio, custou R$ 143,4 mil.

?O ideal é que haja uma uniformização nesses critérios?, diz o economista Raul Velloso, especialista em contas públicas. ?Do jeito que as despesas são apresentadas hoje, não se consegue saber direito como são feitos muitos gastos de gabinetes.? O governo reconhece a necessidade de melhorias e está investindo R$ 58 milhões no projeto chamado Siaf Século 21. ?Queremos informações mais detalhadas?, diz o secretário-adjunto da Secretaria do Tesouro Nacional, Almério Cançado. A mudança, que deve estar completada em 2003, é desde já bem-vinda. Ajudaria a compreender por que o gabinete do presidente Fernando Henrique já gastou R$ 419,5 milhões este ano, repleto de órgãos como a Imprensa Nacional e a Secretaria Nacional Anti-Drogas, enquanto o vice-presidente Marco Maciel só consumiu até agora R$ 2,6 milhões. O gabinete de Fernando Henrique é muito maior do que o de Maciel, um político afeito a detalhes. Este ano, na compra de ?flâmulas, bandeiras e insígnias?, seu gabinete gastou R$ 945.