AZONA SUL DO RIO DE Janeiro possui um dos metros quadrados mais caros do mundo. Quem não abre mão desse espaço precisa preparar o bolso. O preço médio desse quadrilátero na região gira em torno de R$ 12 mil, bem acima dos R$ 8 mil cobrados nas zonas nobres paulistanas, segundo dados do Conselho Federal de Corretores de Imóveis. Em Ipanema, na Vieira Souto, a avenida da praia, o valor chegou a inacreditáveis R$ 24 mil neste ano, próximo ao cobrado na suntuosa Quinta Avenida, de Nova York. Pois essa região da capital fluminense tornou-se foco de uma nova batalha das grandes redes varejistas brasileiras. A cadeia de supermercados Zona Sul, da família Leta, informou que está aberta a propostas de compra de sua operação. O grupo Pão de Açúcar e a rede Carrefour foram contatados pela cadeia. No Wal-Mart Brasil, o presidente da rede, Héctor Nuñez, quando questionado pela DINHEIRO, disse que “a companhia está sempre aberta a ouvir boas propostas”. As primeiras conversas com os interessados não evoluíram nada bem. Quem acompanha as negociações de perto ficou estupefato com a pedida dos vendedores: R$ 700 milhões. Pelas contas iniciais, o valor assusta. A rede quer pouco menos de R$ 25 milhões por cada um de seus 30 pontos. Esperava-se de 30% a 40% desse valor, algo até R$ 10 milhões por loja. Em 2004, o Wal-Mart pagou R$ 7,5 milhões por cada loja do Bompreço.

O preço salgado é explicado, em parte, por se tratar de uma região com público de renda mais gorda. São 630 mil moradores (muitos aposentados) com rendimento médio de R$ 2,7 mil (excluindo Rocinha e Vidigal). Mas o motivo principal é outro. Não há terrenos disponíveis para a expansão do varejo nos bairros de classe alta da zona sul do Rio. É quase impossível que alguma rede consiga montar uma cadeia semelhante à carioca, com pontos estrategicamente fincados nos bairros de Ipanema e Leblon. Além disso, há a questão da oferta e demanda no mercado. Sobraram poucas empresas varejistas no País dispostas a se desfazer de seus ativos no setor de supermercados. No entanto, se as conversas não evoluírem, a família Leta trabalha com outras opções. A mais forte delas seria abertura de capital na Bolsa de Valores, segundo fonte próxima à família.

Trata-se de um caminho muito parecido com o adotado pela rede nordestina G.Barbosa, que chegou a solicitar o registro de empresa aberta à CVM (Comissão de Valores Mobiliários) em 2007, mas acabou vendida aos chilenos da Cencosud em novembro passado. Nessa estratégia do Zona Sul, a idéia seria receber capital fresco para bancar novos investimentos – e o dinheiro de terceiros é mais barato do que aquele que sai do próprio bolso. Criado na década de 50 pelo imigrante italiano Francesco Leta, o Zona Sul é uma rede que deu certo no Rio, um mercado extremamente difícil pela informalidade do varejo. “Não se trata só de localização. Eles têm uma proposta de loja acertada porque é realmente inovadora. A cadeia vende serviço e atendimento de boa qualidade e cobra um preço por isso. Um preço que o cliente aceita pagar”, diz Nelson Barrizelli, professor de economia e especialista em varejo. A cadeia varejista reúne fatores que a diferenciam em relação à concorrência (leia quadro ao lado). Por meio de sua assessoria de imprensa, o Zona Sul nega os rumores de venda da operação, comandada por Fortunato Leta. Sempre discretíssima, a família não toca no assunto. Carrefour e Pão de Açúcar não se manifestaram.