Agora é oficial: a Diageo, maior fabricante de bebidas do mundo, decidiu vender a rede de fast-food Burger King. A decisão veio na última semana, quando a holding divulgou seu balanço. O mau desempenho dos cerca de 11 mil restaurantes espalhados pelo planeta tirou o brilho da performance de bebidas como Smirnoff Ice, Johnnie Walker e Baileys, marcas pertencentes ao grupo. Enquanto a venda de bebidas cresceu 3% no segundo semestre de 2001, atingindo US$ 1,85 bilhão, a rede de fast-food apresentou queda de 29% no faturamento. O presidente do grupo, Paul Walsh, já avisou que procura compradores. ?Queremos focar nossas operações totalmente em bebidas?, garantiu.

Em setembro do ano passado, a Diageo contratou três bancos de investimento para estudar a separação da marca. Chegou até a anunciar que buscava um investidor minoritário, para levar 20% da rede. Em vão. A queda no turismo norte-americano desde os ataques de 11 de setembro e os temores em relação à doença da Vaca Louca tiveram forte impacto nos resultados da cadeia de alimentos. Passado o susto, a expectativa é de que, agora, o negócio deva ficar nas mãos do atual presidente da rede de fast-food, John Dasburg, e de um grupo privado de investimentos. Entre as cotadas estão a Texas Pacific Group e Greenhill & Co., que vêm mantendo conversações com Dasburg. Analistas acreditam, no entanto, que a Diageo dificilmente conseguirá levantar o valor total do negócio ? avaliado em US$ 3 bilhões. Com o anúncio oficial da venda, a Diageo brecou os planos de expansão da rede. O projeto de entrada da Burger King no Brasil, que já estava bastante avançado, volta, mais uma vez, para a gaveta.