Lidar com o dinheiro não é fácil, ainda mais dentro de casa. Marido e mulher, geralmente, têm maneiras e objetivos diferentes na hora de gastar e de economizar. A situação fica mais complicada quando se tem filhos. Além de assumir a missão de garantir o futuro das crianças, os pais precisam também ensiná-los a administrar a sua mesada. Para facilitar a tarefa, consultores financeiros traçaram algumas regras básicas para evitar transtornos no dia-a-dia.

Contas bancárias separadas ou conjuntas?
Para o consultor financeiro René Werner, especialista em criação de family offices, o casamento é considerado uma sociedade afetiva. Então, é preciso impor regras básicas para lidar com o dinheiro. Antes de entregar um talão de cheque para a companheira ou companheiro, é melhor saber qual a habilidade de cada um para lidar com as finanças. Assim, poderá descobrir se o outro consegue assumir o controle dos gastos ou atrapalha-se completamente com as contas. Evite surpresas.

Planejamento: no modelo ideal de orçamento doméstico, os gastos com moradia não devem ultrapassar 25% dos rendimentos
O pacto pré-nupcial funciona?
Não só funciona como, cada vez mais, é considerado um documento essencial. Esqueça o constrangimento, a utilização do pacto está prevista na legislação brasileira e ajuda a evitar os desgastes da divisão de patrimônios quando um casamento acaba. O consultor Werner explica que as cláusulas do pacto devem ser elaboradas por um advogado para evitar erros, porque depois de firmado não há possibilidade de ser alterado.

 

Os filhos adolescentes precisam de cartão de crédito?
Ceder aos apelos insistentes do adolescente e entregar o tão cobiçado dinheiro de plástico como mesada já causou muita dor de cabeça para os pais. Agora, isso pode ser feito de uma maneira bem mais segura. Você pode optar por um cartão de crédito pré-pago. Algumas administradoras, como o Unibanco, já oferecem esse tipo de produto. Ao ultrapassar o limite estabelecido, o cartão é bloqueado automaticamente.

A sua família gasta muito?
Para você responder com precisão a essa questão, basta fazer o seu balanço financeiro familiar, nos moldes de uma empresa. Lance em uma lista os patrimônios e os rendimentos. Em outra, as despesas fixas da família. Depois, é só comparar o resultado com o modelo de planejamento doméstico considerado ideal pelos consultores do Max Blue, serviço de finanças pessoais do Deutsche Bank: Transporte (20%), saúde (5%), vestuário (10%), alimentação (15%), moradia (25%), lazer (10%) e investimentos (15%).

Como fazer para deserdar um membro da família?
Diferente dos Estados Unidos e da Inglaterra, no Brasil não existe essa possibilidade. A legislação exige a divisão da herança entre os filhos e cônjuge. Para tentar deixar algum desses membros da família de fora do patrimônio é necessário enfrentar um árduo processo judicial e ter um motivo legalmente convincente. Nem mesmo um testamento pode excluir um filho de receber a partilha dos bens.