Durante quatro anos e meio, o empresário Juan Quirós dedicou- se exclusivamente ao comércio exterior. Mas não vendeu nada para o mercado externo. Ao longo desse período, ele esteve à frente da Agência de Promoção das Exportações (Apex), uma autarquia federal que, como o nome diz, procura estimular as vendas externas das empresas brasileiras. Há 90 dias, Quirós, 45 anos, deixou o cargo e voltou a cuidar dos próprios negócios – mas, junto, carregou a importância de atuar além das fronteiras brasileiras. Em apenas dois meses, Quirós fechou contratos no valor de R$ 85 milhões para seu grupo, o Advento, que reúne as empresas Vecotec, Vox Engenharia e Temar. O pacote inclui a fábrica da Sadia em Lucas do Rio Verde (GO), o hospital da Amil no bairro do Tatuapé (SP) e os megaedifícios Ventura Towers I e II, que serão erguidos no centro do Rio de Janeiro. Caberá à Advento cuidar do miolo dessas construções: instalação dos sistemas hidráulico e elétrico, do ar-condicionado e dos dispositivos de automação e comunicação. Terminada a obra, a equipe de Quirós, dependendo do tipo de acerto, também poderá assumir a manutenção. “São segmentos que chegam a representar até 50% do valor de uma edificação e que exigem um elevado grau de especialização”, diz ele.

A volta de Quirós ao mundo empresarial foi precedida de um planejamento meticuloso. O primeiro passo, em janeiro deste ano, foi a compra da Projector (atual Vox Engenharia) por R$ 8 milhões, incluindo dívidas. Especializada nos segmentos elétrico e hidráulico, essa unidade terá um papel estratégico. “Com a Vox vamos dobrar o faturamento deste ano para R$ 150 milhões”, estima. Mas isso é só o começo. A ambição de Quirós é “ganhar o mundo” com a Advento. Para tanto, ele quer tirar proveito do aumento da exportação de serviços. Essa rubrica cresce de forma exponencial e movimentou US$ 17,9 bilhões em 2006, de acordo com dados do Ministério do Desenvolvimento. Sua meta é fazer acordos com as construtoras que participam de concorrências internacionais. “Esse tipo de parceria ajudou a impulsionar a economia de países como a Espanha”, cita.

O segmento de construção civil, entretanto, é apenas uma das inúmeras áreas às quais Quirós pretende se dedicar. Mesmo antes de assumir o posto na Apex, em 2003, ele havia confiado a gestão do grupo Advento a executivos profissionais. Graduado em engenharia e com especialização em administração, Quirós divide seu tempo entre a sede da Federação das Indústrias de São Paulo (Fiesp), da qual é vice presidente, e o escritório que mantém em Campinas (SP). É nesse bunker que ele desenha suas tacadas empresariais. A próxima será no segmento de biocombustíveis. A idéia é constituir um fundo de investimento para captar recursos e investir na produção de etanol. Ele não confirma o valor, mas estima-se que Quirós tenha potencial para arrecadar cerca de US$ 100 milhões. Até porque seu caderninho de telefones ganhou um incremento substancial devido às andanças pelo mundo afora. Dos tempos de Brasília, ele não sente falta: “Recebo menos ligações hoje, mas a qualidade delas melhorou bastante”, ressalta. O empresário também está de olho nas áreas que circundam o Aeroporto de Viracopos (Campinas). São terrenos aptos a abrigar centros dedicados a operações logísticas visando o Brasil e o Exterior. “A região metropolitana de Campinas virou uma mina de ouro”, diz. E tudo indica que Quirós está disposto a encher o próprio pote.