12/03/2003 - 7:00
Veja só o que é estar no lugar certo, na hora certa ? mesmo que os outros achem que tudo pode dar errado. Em 1979, a professora de francês Margaret Figueiredo foi escalada para ser intérprete de uma missão de executivos franceses no Rio de Janeiro. Eles desembarcaram na cidade com a idéia de abrir uma filial de um fabricante europeu de implantes de silicone. Mas não demorou muito para os forasteiros desistirem do negócio: ao vasculharem o mercado, descobriram que a moda na época era diminuir os seios e não aumentá-los. Margaret, no entanto, achou que podia dar pé. E achou certo. A professorinha apostou no que os franceses deixaram para trás e, em 20 anos, tornou-se dona da terceira maior fábrica de próteses de silicone do planeta, a Silimed, que só perde para duas concorrentes americanas e fatura R$ 150 milhões anuais. ?Eu não queria mais contar apenas com as aulas para sobreviver?, relembra Margaret. ?Procurava algo que não precisava me deixar milionária. Mas eu não entendia nada de negócios. Apenas sabia falar bem francês.? Foi o suficiente. Margaret gastou todo o seu vocabulário e convenceu os executivos de que poderia tocar um escritório de representação da marca. Três anos depois, já tinha a sua própria fábrica e daí para frente contou com a sorte. O Brasil se transformou num dos mais ?turbinados? países do mundo e a Silimed não parou de crescer.
Com sede no Rio de Janeiro, a empresa não tem concorrentes na América Latina ? e não terá por um bom tempo. Ela fabrica cerca de 150 mil próteses de silicone por ano, com um preço médio de R$ 1 mil cada uma. A última pesquisa do setor, feita em 2001, mostrou que em cada dez mulheres brasileiras que optam por aumentar os seios, oito recebem implantes da Silimed. A companhia exporta para 50 países ? toda a Europa e agora China e Oriente Médio ? e se prepara para ir mais longe. A Silimed acaba de inaugurar uma nova fábrica, com capacidade de produção cinco vezes maior do que a atual. Um investimento de US$ 4,5 milhões. ?Queremos ser uma referência mundial em próteses especiais?, afirma a empresária. Traduzindo: a idéia é expandir a participação de mercado com novos tipos de produtos, como próteses penianas e até ortopédicas. Hoje, os consagrados implantes de mama representam 70% de tudo que a Silimed produz. E com o afã dos brasileiros por um corpo perfeito, é de se apostar que não faltará campo de teste para qualquer novidade em silicone por aqui. Em tempo: Margaret jura que ainda não experimentou, mas já pensa em empinar a própria ?derrière?.