A Raízen informou que está avaliando implementação de solução “abrangente e definitiva” para fortalecimento de sua estrutura de capital e que pode buscar recuperação extrajudicial, se necessário, segundo fato relevante divulgado nesta quarta-feira, 4.

De acordo com a companhia, a proposta em análise contempla a contribuição de capital no montante de R$ 4 bilhões, dos quais R$ 3,5 bilhões viriam do Grupo Shell e R$ 500 milhões de veículo controlado pela Aguassanta Investimentos, que pertence à família do acionista controlador da Cosan.

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A Reuters publicou que a produtora de açúcar e etanol poderá ficar sob o controle da Shell, segundo duas fontes familiarizadas com o assunto.

A reestruturação do endividamento financeiro poderá incluir a conversão de parte do endividamento em capital, combinada com o alongamento do saldo remanescente da dívida e continuidade do processo de simplificação dos negócios, com avaliação e venda de ativos não estratégicos, disse a empresa.

“A companhia pretende assegurar um ambiente protegido e ordenado que permita a condução de discussões com seus credores financeiros e a busca de uma solução consensual, a ser eventualmente implementada por meio de uma recuperação extrajudicial, se necessária”, disse a empresa no fato relevante.

A Shell e a Cosan, um conglomerado industrial criado por Ometto, detêm cada uma 44% da Raízen.

A Raízen registrou uma série de prejuízos e um aumento acentuado da dívida líquida nos últimos trimestres, como resultado de investimentos caros e condições climáticas adversas que afetaram negativamente as safras, levando-a a alertar, em fevereiro, sobre uma “incerteza significativa” quanto à sua capacidade de continuar operando.

A dívida líquida da Raízen subiu para R$ 55,3 bilhões no final de dezembro devido a uma combinação de investimentos pesados, clima instável e incêndios florestais, que levaram a colheitas mais fracas e volumes de moagem mais baixos.