A Raízen anunciou nesta quarta-feira, 11, que protocolou um pedido de recuperação extrajudicial, buscando reestruturar dívidas de aproximadamente R$ 65,1 bilhões.

Segundo o fato relevante da companhia, seu plano conta com a adesão expressa de credores signatários titulares de mais de 47% das dívidas financeiras, percentual que demonstra “apoio relevante aos esforços para viabilizar a reestruturação das obrigações financeiras do grupo”.

A produtora de açúcar e etanol, controlada pelo grupo Cosan e Shell, disse que o plano não abrangerá dívidas e obrigações com seus clientes, fornecedores, revendedores e outros parceiros de negócios, “essenciais para a sua operação e continuidade de suas atividades, as quais permanecem vigentes e continuarão sendo cumpridas normalmente nos termos dos respectivos contratos”.

A Raízen afirmou ainda que terá um prazo de 90 dias, a contar do processamento da recuperação extrajudicial, para obter o percentual mínimo necessário à homologação do plano, “assegurando, assim, a vinculação de 100% dos créditos sujeitos aos novos termos e condições de pagamento a serem definidos”.

As ações da Raízen caíram até 17% no início do pregão de quarta-feira, antes de recuperarem parte das perdas, embora tenham permanecido voláteis. Por volta das 13h25, subiam 3,85%. Em 12 meses, no entanto, acumulam perdas de quase 70%.

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Com mais de 45 mil colaboradores e 15 mil parceiros de negócios espalhados por todo o Brasil, o Grupo Raízen controla 35 usinas de produção de açúcar, etanol e bioenergia, tendo anunciado uma receita líquida de R$ 255,3 bilhões na safra 2024/2025.

Entenda a crise

A Shell e a Cosan, um conglomerado industrial criado por Ometto, detêm cada uma 44% da Raízen.

A Raízen registrou uma série de prejuízos e um aumento acentuado da dívida líquida nos últimos trimestres, como resultado de investimentos caros e condições climáticas adversas que afetaram negativamente as safras, levando-a a alertar, em fevereiro, sobre uma “incerteza significativa” quanto à sua capacidade de continuar operando.

A dívida líquida da Raízen disparou devido a uma combinação de investimentos pesados, clima instável e incêndios florestais, que levaram a colheitas mais fracas e volumes de moagem mais baixos.

Segundo o fato relevante, o plano de recuperação poderá envolver, além da reestruturação das dívidas:

  • venda de ativos
  • capitalização do Grupo Raízen pelos seus acionistas
  • conversão de parte dos créditos sujeitos em participação acionária na companhia
  • a substituição de parte dos créditos por novas dívidas
  • reorganizações societárias, destinadas à segregação de parcela dos negócios atualmente conduzidos pelo grupo

Maior reorganização extrajudicial do país

A reorganização da Raízen é a maior já realizada extrajudicialmente no Brasil, segundo Luiz Fabiano Saragiotto, presidente do conselho da TMA Brasil, unidade brasileira da organização global sem fins lucrativos focada em reestruturação corporativa.

Saragiotto afirmou que a medida da Raízen é “mais um passo positivo rumo a uma solução definitiva do que uma preocupação com as operações da empresa”.

Um porta-voz da Shell declarou que apoia a reorganização, acrescentando que ela é necessária para lidar com os significativos desafios financeiros da Raízen.

A Shell propôs injetar R$3,5 bilhões para apoiar a Raízen.

A Cosan afirmou em um comunicado regulatório que a reestruturação não tem impacto sobre suas obrigações, operações, estrutura de capital ou posição financeira. Suas atividades e relações comerciais permanecem inalteradas, afirmou a empresa.