02/07/2014 - 8:28
O forte desempenho de Wall Street ontem, com o Dow Jones e o S&P 500 renovando recordes de fechamento, ajuda a impulsionar a maioria das bolsas na Europa. Paris e Lisboa, porém, são pressionadas por ações do setor de telecomunicações. Enquanto isso, o último dado de inflação da zona do euro, que veio em linha com o esperado, não mudou a perspectiva de que o Banco Central Europeu (BCE) manterá sua política monetária inalterada na reunião de amanhã.
A mão compradora ganhou força entre os mercados europeus nas primeiras horas de negócios após o rali visto ontem em Nova York, onde as ações subiram em reação a dados positivos de atividade manufatureira dos EUA. Nesta manhã, os investidores ficarão atentos a outros indicadores da economia norte-americana, que incluem a criação de empregos pelo setor privado e as encomendas à indústria.
Na agenda europeia de indicadores, o destaque hoje foi o índice de preços ao produtor (PPI, na sigla em inglês) da zona do euro, que caiu 0,1% em maio ante abril, conforme a previsão dos analistas. Diante disso, continua valendo a aposta de que o BCE não anunciará medidas adicionais de estímulos no encontro desta quinta-feira, apesar de os últimos números de atividade industrial da região terem indicado desaceleração. No começo do mês passado, o BCE não apenas reduziu todas as suas principais taxas básicas de juros como ofereceu bilhões de euros em empréstimos baratos ao setor bancário europeu.
Alguns analistas, porém, apontam que, mais adiante, o BCE poderá ter de eventualmente ampliar seus esforços de estímulo em meio a dados europeus que ainda evidenciam uma recuperação fraca e desigual.
Na véspera do encontro do BCE, o euro opera em ligeira baixa, recuando a US$ 1,3663 às 8h22 (de Brasília), de US$ 1,3680 no fim da tarde de ontem, e ainda acima do nível em que se encontrava antes da reunião de política monetária anterior. Também no mercado de câmbio, a libra avançava a US$ 1,7169, após chegar a ser negociada a US$ 1,7179, o maior nível desde outubro de 2008. A libra foi favorecida pelo índice de gerentes de compras (PMI, na sigla em inglês) de construção do Reino Unido, que subiu para 62,6 em junho, de 60,0 em maio, indicando expansão do setor pelo 14º mês consecutivo.
O mesmo PMI de construção contribui para a alta da Bolsa de Londres, que subia 0,31% no horário acima. Também avançavam os principais índices acionários de Frankfurt (+0,20%), Milão (+0,79%) e Madri (+0,02%). Paris, por outro lado, recuava 0,02%, influenciada por uma queda nos papéis de telecomunicações após a operadora móvel franco-britânica Orange anunciar que abandonou planos para uma possível fusão ou aquisição na França. Em Lisboa, o índice PSI 20 caía 0,34%, com forte pressão da Portugal Telecom, cujas ações perdiam 3,14%, atingindo os menores níveis em 18 anos, ainda repercutindo a renúncia de dois membros da administração da PT ligados à brasileira Oi.