O rebanho bovino brasileiro registrou uma diminuição de 1,7% em 2025 na comparação com o ano anterior, marcando a segunda queda anual consecutiva, conforme dados divulgados hoje (30) pelo Instituto Brasileiro de Geografia e Estatística (IBGE). A quantidade de bovinos reduziu para 234,3 milhões de cabeças, atingindo o menor patamar desde 2022. Apesar da retração no gado, o valor total da produção da pecuária nacional alcançou um recorde de R$ 141,2 bilhões.

O que aconteceu

  • A pecuária brasileira viu o rebanho bovino diminuir pelo segundo ano seguido, chegando ao menor efetivo desde 2022.
  • O valor da produção da pecuária, impulsionado principalmente por leite, ovos de galinha e mel, atingiu um recorde de R$ 141,2 bilhões.
  • Produções como a de leite de vaca, galináceos, ovos de galinha, caprinos, ovinos, mel, camarão e peixes também registraram recordes de produção.

A quantidade de bovinos, segundo a pesquisa da Produção da Pecuária Municipal (PPM) 2025, divulgada hoje (30) pelo IBGE, ficou em 234,3 milhões de cabeças, a menor desde 2022, quando o efetivo era de 234,9 milhões de cabeças.

Apesar da queda no rebanho bovino, a pesquisa mostrou recorde no valor de produção da pecuária, que totalizou R$ 141,2 bilhões, uma alta de 6,2% em relação a 2024. Os produtos de origem animal somaram R$ 128,0 bilhões, um aumento de 5,6%, enquanto os itens da aquicultura contribuíram com R$ 13,2 bilhões, um crescimento de 12,5%. O recorde foi puxado pela produção de leite de vaca, que representou R$ 89,5 bilhões (63,4% do valor total), seguida por ovos de galinha, R$ 36,4 bilhões (25,8%), e mel, com R$ 1,2 bilhão (0,9%).

Por que o rebanho bovino está encolhendo?

A queda na quantidade de cabeças de gado bovino é explicada, em parte, pelo aumento do abate nos últimos quatro anos, especialmente de fêmeas. São Félix do Xingu (PA) segue como o município com o maior rebanho de bovinos, somando 2,7 milhões de cabeças, o que representa 1,2% do total nacional. Na sequência, aparecem Corumbá (MS), com 2,2 milhões; Porto Velho (RO), 1,7 milhão; Cáceres (MT), 1,4 milhão; e Marabá (PA), 1,3 milhão.

Regionalmente, o efetivo bovino do Centro-Oeste caiu pelo terceiro ano seguido (-3,7%), mas ainda detém a maior quantidade (72,2 milhões de cabeças), equivalente a 30,8% do total. O Nordeste foi a única região com aumento do rebanho, chegando a 37,3 milhões de cabeças (alta de 2,2%). Já o Norte recuou 1,8%, com 63,4 milhões de cabeças, enquanto Sudeste (-1,0%) e Sul (-1,7%) também apresentaram quedas pelo terceiro ano consecutivo, com 37,3 milhões e 24,1 milhões de cabeças, respectivamente.

(Foto: IBGE)

Leite de vaca mantém trajetória de crescimento recorde?

A produção de leite de vaca cresceu pelo terceiro ano consecutivo, registrando alta de 2,7% na passagem de 2024 para 2025 e atingindo um recorde de 36,7 bilhões de litros. Esse resultado foi alcançado mesmo com a queda de 2,7% no número de vacas ordenhadas no período. Foram 14,7 milhões de vacas ordenhadas em 2025, a menor quantidade desde 1979 na série iniciada em 1974.

Esses dados explicam o aumento recorde de 5,6% na produtividade, a terceira alta seguida, que chegou a 2.498,7 litros de leite por vaca por ano. O resultado reflete condições climáticas favoráveis e investimento em aprimoramento genético e manejo do rebanho, aliados a um processo de otimização e reorganização da base produtiva.

O município de Castro (PR) liderou o ranking com 532,8 milhões de litros, uma alta de 10,0% em relação a 2024. Carambeí (PR) manteve a segunda posição, com 306,8 milhões de litros, e Patos de Minas (MG) ocupou a terceira posição, com 249,2 milhões de litros.

A região Sul reassumiu a primeira posição na produção de leite com 12,5 bilhões de litros, correspondendo a 34,0% da produção nacional, com crescimento de 4,4% em relação a 2024. O Sudeste vem na sequência, com crescimento de 2,3% e 12,3 bilhões de litros, o equivalente a 33,5% do total nacional. O Nordeste manteve a terceira colocação, com 6,6 bilhões de litros e aumento de 2,7%, respondendo por 18,0% da produção. O Centro-Oeste chegou a 3,6 bilhões, queda de 1,0%, e contribuiu com 9,8% da produção leiteira nacional. O Norte apresentou a menor contribuição (4,6%), com produção de 1,7 bilhão e aumento de 1,4%.

Setor de aves registra expansão e maior oferta?

O efetivo de galináceos, que inclui galinhas e outras categorias como frangos de corte, foi estimado em 1,6 bilhão de cabeças em 2025, um aumento de 1,6% em comparação ao ano anterior. Desse total, 293,3 milhões (18,3%) são galinhas destinadas à produção de ovos, cujo efetivo também foi recorde com alta de 5,8%.

Santa Maria de Jetibá (ES) foi o município com o maior efetivo de galináceos (18,4 milhões de cabeças), um aumento de mais de 890,5 mil animais em 2025 na comparação com o ano anterior. Desse crescimento, 23,6% foram galinhas, o que reforça sua liderança municipal nesse efetivo desde 2015, totalizando 15,1 milhões de galinhas em 2025. São Bento do Una (PE), Bastos (SP), Uberlândia (MG) e Toledo (PR) completam o ranking dos cinco maiores municípios em galináceos. No ranking de galinhas, Bastos (SP) e São Bento do Una (PE) também se destacam, ocupando a segunda e terceira posição, respectivamente. Primavera do Leste (MT) e Santo Antônio do Monte (MG) ocupam o quarto e quinto lugares.

A região Sul concentra a maior quantidade de efetivos de galináceos (772,9 milhões de cabeças), quase a metade (48,1%) do total nacional, com aumento de 3,4% em relação a 2024. Em relação às galinhas, o Sul apresentou o segundo maior efetivo (72,2 milhões de cabeças), 24,6% do total nacional, e cresceu 5,8% no ano. Já o Sudeste concentrou a maior quantidade de galinhas (104,3 milhões de cabeças), equivalente a 35,6% do total, com crescimento de 5,0%.

Produção de ovos atinge novo patamar recorde?

A produção de ovos de galinha mantém trajetória de crescimento desde 1999, alcançando volume recorde de 5,7 bilhões de dúzias em 2025. Com o preço médio estimado em R$ 6,34 por dúzia, o valor de produção atingiu R$ 36,4 bilhões, um crescimento de 13,9%.

Os cinco principais municípios produtores foram Santa Maria de Jetibá (ES), Bastos (SP), São Bento do Una (PE), Primavera do Leste (MT) e Santo Antônio do Monte (MG). Essa lista e a ordem de classificação são as mesmas observadas no ranking de efetivo de galinhas, dada a correlação direta entre o efetivo e a produção de ovos.

O Sudeste lidera a produção de ovos (2,3 bilhões de dúzias), responsável por 39,3% do total nacional, e um crescimento de 3,2% em 2025. Sul (1,3 bilhão de dúzias) e Nordeste (1,1 bilhão de dúzias) aparecem na sequência, com 22,5% e 20,0% de participação e crescimentos de 5,9% e de 6,6%, respectivamente.

Recordes em caprinos, ovinos e estabilidade em suínos

O efetivo de caprinos aumentou 1,2% em 2025, chegando a 13,5 milhões de animais, enquanto o número de ovinos cresceu 1,6%, atingindo 22,3 milhões de animais. Ambos os valores são recordes na pesquisa. A região Nordeste foi a principal responsável por este aumento, já que possui 96,6% do total de caprinos e 75,8% dos ovinos. O Sul ocupa também lugar de destaque em ovinos por manter 15,6% do efetivo nacional, sendo o Rio Grande do Sul o maior estado produtor de lã do país, com 94,8% da produção nacional de 2025, que, no entanto, caiu 10,7%.

Em nível municipal, os maiores efetivos de caprinos estão localizados em Casa Nova (BA), Juazeiro (BA), Floresta (PE), Curaçá (BA) e Petrolina (PE). Para ovinos, Casa Nova (BA) também se destaca como principal município produtor, seguida de Juazeiro (BA), Dormentes (PE), Remanso (BA) e Afrânio (PE).

A pesquisa contabilizou 44,0 milhões de suínos no país em 2025, um valor estável em relação a 2024. O total de fêmeas reprodutoras ficou praticamente estável (5,0 milhões de animais).

Toledo (PR) manteve sua posição na liderança municipal para a criação de suínos, com 2,1% do efetivo nacional (935,0 mil animais). Uberlândia (MG) aparece em seguida, com 1,3% do total (588,0 mil animais), seguido de Concórdia (SC), com 1,2% (519,4 mil animais).

(Foto: IBGE)

Produção de mel segue em ascensão?

A produção nacional de mel cresceu 4,5% em 2025, totalizando 71,3 mil toneladas, o valor mais alto da série. O mel alcança recordes anuais na estimativa desde 2018.

A região Sul voltou a liderar regionalmente, o que não acontecia desde 2022, com 37,1% do mel brasileiro e tendo apresentado um aumento de 18,8% em relação a 2024. Esse resultado é embasado principalmente pelo Rio Grande do Sul, maior produtor nacional (15,3% do total), e Paraná, com 15,0% do total nacional. A produção do Nordeste, embora pouco menor, esteve praticamente empatada com a do Sul e teve participação semelhante (37,1%).

Os municípios com a maior produção de mel foram Santa Luzia do Paruá (MA), Arapoti (PR), Boa Esperança do Sul (SP), São Raimundo Nonato (PI) e Ortigueira (PR).

Recorde histórico na produção de camarão no Brasil

A produção de camarão alcançou um novo recorde em 2025, atingindo a marca de 172,4 mil toneladas, um crescimento de 18,2% em relação ao ano anterior. O valor de produção também cresceu 19,4%, totalizando R$ 3,6 bilhões. A atividade mantém um crescimento contínuo desde 2017, após superar os desafios impostos pelo vírus da mancha branca.

Do total da produção nacional de camarão, 99,7% são provenientes do Nordeste, principalmente do Ceará (53,3%) e do Rio Grande do Norte (22,0%). Os maiores produtores municipais são: Aracati (CE), com produção de 21,3 mil toneladas; Jaguaruana (CE) e Pendências (RN), com produção de 12,0 mil toneladas e 8,9 mil toneladas, respectivamente.

Produção de peixes em expansão, com destaque para tilápia

Em 2025, a produção de peixes aumentou 7,1%, chegando a 783,0 mil toneladas, o que resultou em um valor de produção de R$ 8,5 bilhões, crescimento de 9,6% em relação a 2024.

No ranking dos municípios, Morada Nova de Minas (MG) foi o maior produtor de peixes (32,4 mil toneladas). Nova Aurora (PR) e Palotina (PR) ficaram em segundo e terceiro lugares, com 26,0 mil toneladas e 18,1 mil toneladas, respectivamente.

A produção de tilápia correspondeu a 68,2% do total de peixes, um aumento de 5,4% em relação a 2024, resultando em 533,7 mil toneladas. O Paraná foi responsável por 39,2% da produção nacional, ou 209,3 mil toneladas, seguido por São Paulo com 68,4 mil toneladas (12,8% do total) e Minas Gerais com 62,3 mil toneladas (11,7%).

Ostras e mexilhões impulsionam aquicultura

A malacocultura (produção de ostras, vieiras e mexilhões) alcançou 9,9 mil toneladas em 2025, um acréscimo de 3,3% em relação a 2024. Esse crescimento ocorre após a produção de 2023 ter sido afetada por intensas chuvas. O setor gerou R$ 135,2 milhões, um aumento de 12,5% em comparação com o período anterior.

O Sul representa 90,0% do total nacional, com Santa Catarina respondendo por 88,1% da produção brasileira. Os maiores municípios produtores são todos catarinenses: Palhoça (3,3 mil toneladas), Florianópolis (2,1 mil toneladas), Bombinhas (1,6 milhão de animais), Penha (730,7 toneladas), Governador Celso Ramos (405,0 toneladas) e São José (390,0 toneladas).

(Com informações da Agência Brasil)

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