A recessão mais longa registrada nos Estados Unidos desde a década de 1930 durou 18 meses e acabou em junho de 2009, deixando 8 milhões de empregos perdidos, anunciou nesta segunda-feira a Comissão Nacional de Pesquisa Econômica (NBER, da sigla em inglês).

Em uma reunião realizada por teleconferência no domingo, “o comitê determinou que foi registrado o menor nível na atividade econômica nos Estados Unidos em junho de 2009”, anunciou a NBER em um comunicado.

“O menor ponto marca o fim da recessão que começou em dezembro de 2007 e o início da expansão. A recessão durou 18 meses, o que faz desta a mais longa desde a Segunda Guerra Mundial”, completa o documento.

O comitê que registra os ciclos de atividade da NBER, um organismo privado que reúne grandes economistas do país, determina esta data em meses, levando em consideração não apenas o resultado do Produto Interno Bruto (PIB), mas também da renda, emprego, produção e vendas no varejo e no atacado.

A data serve geralmente de referência ao conjunto dos economistas e aos organismos públicos.

O PIB dos Estados Unidos voltou a crescer no terceiro trimestre de 2009, depois de quatro trimestres consecutivos de baixa.

A crise começou em dezembro de 2007 devido a arriscados investimentos imobiliários de Wall Street.

O anúncio é um consolo para aqueles que hoje pretendem arranjar um emprego. Segundo cifras oficiais, um americano em cada seis em idade produtiva está nessa situação.

“Mesmo que os economistas digam que a recessão acabou oficialmente no ano passado, ainda é muito real para milhões de pessoas que ainda não têm trabalho, gente que viu o valor de suas casas cair, gente que luta a cada dia para pagar as contas”, disse o presidente americano, Barack Obama.

O NBER tem consciência disso: “o comitê não chegou à conclusão de que a conjuntura econômica” depois de junho de 2009 “foi favorável ou que a economia funciona novamente segundo sua capacidade normal”. O emprego atingiu seu piso em dezembro de 2009.

Os dados do PIB mostram que a primeira economia mundial caiu ao menos em uma fase de crescimento muito lento, ou inclusive de estancamento.

O crescimento foi retomado no terceiro trimestre de 2009 (+1,6% interanual), depois tomou impulso no fim de 2009 ao início de 2010 (+5% e +3,7%), antes de se desacelerar no segundo trimestre (+1,6%). Para a imensa maioria dos economistas, o terceiro trimestre deverá ser pior que o segundo.

Segundo vários deles, não se deve descartar a possibilidade de uma nova recessão. Nouriel Roubini, da consultoria Roubini Global Economics, conhecido por seus prognósticos sombrios, apontava essa possibilidade em “cerca de 40%” no início de setembro. Segundo economistas da agência de classificação de risco Moody’s, que calculam mensalmente diversos indicadores econômicos, em agosto era de 33%.

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