A Organização Internacional do Trabalho (OIT) define que os empregos verdes são aqueles que conseguem reduzir o impacto ambiental de empresas e setores para níveis considerados sustentáveis. Esses postos podem abranger vagas de saneamento, de gestão de resíduos e de riscos ambientais, de geração e distribuição de energias renováveis, de produção e manejo florestal, de manutenção e recuperação de produtos e materiais e de transportes coletivos alternativos ao rodoviário e ao aéreo.

Replicando a metodologia da OIT, que classifica ocupações por tipo de atividade e que considera somente empregos formais, já que os empregos verdes também precisam ser justos em termos de proteção social e condições adequadas, o Brasil gerou 417,4 mil novos empregos verdes nos últimos cinco anos, alcançando um recorde de 2,4 milhões de trabalhadores formais ao final de 2025.

Entretanto, os empregos marrons, aqueles que são dependentes da exploração de recursos naturais ou prejudiciais à qualidade ambiental, cresceram mais vigorosamente. Nos últimos cinco anos, foram gerados 2,2 milhões de empregos marrons, 5,3 vezes mais vagas formais do que os empregos verdes. O total de trabalhadores formais desse grupo chegou a 8,6 milhões. A construção civil, a agropecuária, o turismo e a hotelaria estão incluídos nestes grupos, além da extração mineral e a indústria de base.

Proporcionalmente, porém, a composição desses dois grupos mal se alterou. No final de 2020, os empregos verdes representavam 5,3% do total de trabalhadores formais, caindo para 5,1% em 2025, enquanto os empregos marrons subiram de 16,7% para 17,7%.

 

Bruno Imaizumi é economista da 4intelligence
Bruno Imaizumi é economista da 4intelligence (Crédito:Divulgação)

Apesar das classificações, qualquer emprego pode se tornar mais verde, ou seja, menos prejudicial ao meio ambiente. Um estudo publicado em 2023 nos Anais da Academia Nacional de Ciência dos Estados Unidos (PNAS) mostra que trabalhar integralmente de maneira remota reduz em 58% emissões de gases de efeito estufa, graças à menor energia em escritórios e em deslocamentos.

Todavia, de acordo com os indicadores de trabalho remoto que a 4intelligence acompanha mensalmente em parceria com a Gupy, os empregos 100% remotos estão cada vez mais raros no Brasil, já que as empresas estão retornando fortemente a esquemas de trabalho presencial e híbrido.

O Brasil tem 50% de participação de fontes renováveis em sua matriz energética de 2024, de acordo com o relatório do Balanço Energético Nacional – BEN da Empresa de Pesquisa Energética (EPE). A média de participação de fontes renováveis em países da Organização para a Cooperação e Desenvolvimento Econômico (OCDE) em 2023 era de 13,2%. Outro exemplo mostrado no relatório é que a produção e o uso de energia associados a um cidadão brasileiro geram apenas 37% das emissões de gases de efeito estuda de um cidadão europeu da OCDE, em termos per capita.

Apesar da posição privilegiada, o Brasil patina na transição energética. As duas crises econômicas na última década, diversos retrocessos na legislação ambiental, a falta de fiscalização de governos em todas as esferas e principalmente as restrições fiscais para áreas como Meio Ambiente, Educação, Ciência e Tecnologia, freiam avanços mais significativos.

Relatórios da OCDE revelam que apenas 12% dos trabalhadores globais em empregos marrons recebam algum tipo de treinamento de princípios sustentáveis. Ainda, os empregos verdes estão concentrados em regiões mais ricas e os marrons em áreas de baixa renda per capita, uma diferença que deixa a força de trabalho despreparada para a transição energética verde.

As fragilidades e peculiaridades do mercado de trabalho brasileiro, como a alta informalidade e os rendimentos baixos para a maioria da população ocupada, não deixam espaço para pensarmos em avanços ambientais sem capacitação massiva e inclusiva.

Uma transição mais acelerada para uma economia mais verde, impulsionando também os empregos verdes, não ocorrerá de maneira espontânea apenas por meio das forças de mercado e exigirá um envolvimento maior do setor público em várias frentes, via regulação, financiamento, subsídios calibrados e definição de um mercado regulado de carbono abrangente.

Bruno Imaizumi é economista da 4intelligence