01/07/2015 - 10:14
Um total de 137.000 migrantes, um número recorde, arriscou suas vidas para atravessar o Mediterrâneo durante o primeiro semestre de 2015, ou seja, 83% a mais em relação ao mesmo período de 2014, indicou nesta quarta-feira a ONU.
O balanço pode aumentar durante o verão (no hemisfério norte), quando os traficantes de seres humanos intensificam sua atividade. O número de migrantes no Mediterrâneo passou de 75.000 pessoas no primeiro trimestre de 2014 a 219.000 no fim do ano, segundo o Alto Comissariado das Nações Unidas para os Refugiados (Acnur).
“A Europa enfrenta uma crise de refugiados por via marítima que alcança níveis históricos”, alertou o Acnur, ressaltando que estes migrantes e refugiados fogem em sua maioria de guerras, conflitos e perseguições.
A maioria das pessoas que chegam por via marítima à Europa são refugiados, que buscam se proteger da guerra e das perseguições, disse em um comunicado o alto comissário António Guterres.
Um terço das mulheres, homens e crianças que alcançaram a costa da Grécia ou da Itália neste ano procedem da Síria, país devastado desde 2011 pela guerra.
Os refugiados da violência do Afeganistão e do regime repressivo da Eritreia representam 12%, segundo o relatório do Acnur. Somália, Nigéria, Iraque e Sudão são outros dos principais países de origem dos migrantes.
No total, 1.867 pessoas perderam a vida durante os primeiros seis meses de 2015 quando tentavam atravessar o Mediterrâneo. No mês de abril, foram registradas 1.308 mortes.
Os dramas e os naufrágios do mês de abril levaram os líderes da União Europeia a acelerar as operações de busca e resgate no Mediterrâneo, o que levou a uma diminuição a 68 mortes em maio e a 12 em junho.
Para Guterres, este retrocesso demonstra que “com a boa política, reforçada por uma resposta operacional efetiva, é possível salvar mais vidas no mar”.
O alto comissário ressaltou a importância de permanecer vigilantes, já que, “para os milhares de refugiados e migrantes que seguem atravessando o mediterrâneo toda semana, o risco continua sendo muito alto”.
Eles iniciam com frequência seu périplo buscando refúgio nos países vizinhos, indica o informe, que cita o caso do Líbano, onde um quarto de seus habitantes são refugiados sírios.
O relatório também aponta uma mudança nos itinerários dos migrantes. O trajeto da Turquia à Grécia substitui a travessia entre o norte da África e a Itália.
A Itália, que viu 170.000 migrantes chegarem a sua costa no ano passado, registrou 67.500 novas chegadas durante o primeiro semestre de 2015.
Já a Grécia, que recebeu 43.500 migrantes no ano de 2014, registrou a chegada de 68.000 pessoas apenas durante os primeiros seis meses de 2015.
Muitos refugiados e migrantes continuam sua rota em direção à Alemanha e à Suécia, por serem países considerados mais abertos a acolhê-los.
Os migrantes enfrentam então uma nova viagem longa e perigosa, frequentemente nas mãos de traficantes de seres humanos através dos Bálcãs e da Hungria.
O relatório do Acnur faz um apelo a uma maior solidariedade com os migrantes (melhora das condições de acolhida, criação de rotas legais de migração) e a um aumento no número de países europeus receptores de refugiados.
O Alto Comissariado das Nações Unidas para os Refugiados comemora a decisão europeia de dividir entre vários países os 40.000 pedidos de asilo sírios e eritreus para diminuir a pressão sobre a Itália e a Grécia, mas afirma que serão necessárias mais medidas.
Os ministros das Relações Exteriores da União Europeia lançaram no fim de junho uma missão naval de luta contra o tráfico de migrantes no Mediterrâneo, que se limitará em um primeiro momento a uma maior vigilância destas redes.