A Rede Sustentabilidade, partido da ex-senadora e ex-candidata à  Presidência da República Marina Silva, decidiu que não vai apoiar o  processo de impeachment da presidente Dilma Rousseff por considerar que  não haveria base constitucional para a saída da petista via ação no  Congresso Nacional. A sigla estuda uma nova ação no Tribunal Superior  Eleitoral (TSE) por considerar que a impugnação da chapa Dilma-Michel  Temer seria a melhor opção dentro de um cenário de deterioração  política.

Em reunião com a bancada no Congresso e a  Executiva do partido, os “marineiros” concluíram que a Justiça Eleitoral  deve impugnar a chapa vencedora da eleição presidencial de 2014 por  completo. “O caminho da Justiça é mais isento que este caminho que está  no Congresso, marcado por acusações de chantagem”, resumiu o coordenador  nacional de organização da Rede, Pedro Ivo Batista.

Já  existe uma ação no TSE proposta pelo PSDB para cassar o diploma  eleitoral de Dilma e Temer e o processo está em fase de instrução. A  autorização para o início do trâmite do processo foi dada no dia 6 de  outubro e é a primeira ação de impugnação de mandato aberta contra um  presidente da República desde 1937. A Rede, no entanto, não definiu  ainda se pretende apoiar a ação já em curso ou entrar com novo pedido de  impugnação.

Nas discussões que duraram toda quinta-feira,  3, os dirigentes do partido avaliaram que o impeachment no Parlamento é  inviável porque o conjunto das investigações da Operação Lava Jato  aponta envolvimento não só do ex-tesoureiro do PT João Vaccari Neto, do  ex-líder do governo no Senado Delcídio Amaral (PT-MS), mas do presidente  do Senado, Renan Calheiros (PMDB-AL), e do presidente da Câmara,  Eduardo Cunha (PMDB-RJ). Os caciques da legenda acreditam que pairam  suspeitas sobre a presidente e seu vice. “Não dá para dissociar Dilma de  Temer”, disse Pedro Ivo.

A Rede terá direito a uma vaga na  comissão especial que analisará o processo de impedimento de Dilma na  Câmara. “Não há entusiasmo da Rede com o impeachment. A tendência é que  votemos contra”, disse o deputado Miro Teixeira (RJ).

O  partido divulgou uma nota nesta sexta-feira, 4,  assinada pela Comissão  Executiva Nacional da Rede onde diz que petição aceita pela Câmara “não  apresenta matéria nova em relação à anterior, já analisada pela Rede  como insuficiente para redundar em impeachment”. Em outro trecho, porém,  o partido lembra que pedido feito pelo cidadão “não é golpe, é um  direito garantido pela Constituição”.

A sigla também cobra  a cassação do mandato de Cunha. “As manobras protelatórias feitas até o  momento criam a situação anômala e inaceitável de um presidente  conduzindo a Câmara na condição de investigado por corrupção,  manipulando a instituição em causa própria, em meio a uma crise sem  precedentes da qual ele é um dos causadores”, diz o documento.