03/03/2016 - 16:30
Diante de um cenário competitivo duro e de retração no consumo, a Rede acredita que pode ser necessário abrir mão de seu market share no setor de meios de pagamento para manter a rentabilidade. O presidente da companhia de meios de pagamento do Itaú Unibanco, Fernando Chacon, afirmou entender que esse cenário “pode acontecer” porque a companhia não quer ser extremamente agressiva em preços para garantir sua fatia de mercado.
Para o executivo, “não leva a lugar nenhum” uma estratégia de competição no setor de adquirência que enfatize apenas taxas e prazos mais atraentes aos lojistas.
Hoje a Rede informa que tem uma fatia de 36% do mercado de cartões, o qual pode movimentar até R$ 1,15 trilhão no ano, de acordo com a previsão da Associação Brasileira das Empresas de Cartões de Crédito e Serviços (Abecs).
Dominado por Cielo e Rede, o mercado de adquirência tem vivido um cenário de maior agressividade na competição por preços em meio à entrada de concorrentes de menor porte. Questionado sobre o investimento mais pesado de marketing de alguns desses adquirentes, Chacon considerou que a Rede não acredita em investimentos em mídias de massa, mas ponderou que a companhia tem reforçado sua estratégia de comunicação e relacionamento por meio de redes sociais.
A maior agressividade na competição no setor também foi reconhecida recentemente pelo presidente da Cielo, Rômulo de Mello Dias, em teleconferência com analistas e investidores. Segundo Dias, a Cielo adotou uma postura agressiva em preços diante da maior competição. “Fomos agressivos, até um pouco mais do que gostaríamos em relação a esse tema em particular”, disse na ocasião.
De acordo com Chacon, a Rede só deverá intensificar a estratégia de competição em alguns nichos de mercado ainda com menor penetração da indústria de cartões. Ele considerou que ainda existem segmentos de negócio em que os pagamentos por cartão têm baixa penetração.
Para segmentos em que a penetração já é mais elevada, Chacon considerou que a estratégia da Rede contempla uma possibilidade de expandir a prestação de serviços financeiros como a antecipação de recebíveis. O executivo afirmou que hoje a participação das receitas de antecipação sobre volume financeiro de crédito é mais baixa na Rede que em outros concorrentes. De acordo com ele, essa fatia é entre 0,4 e 0,5 ponto porcentual mais baixa que a de seu competidor. Na Cielo, a antecipação respondeu por 19,7% do volume no quarto trimestre de 2015.
A Rede anunciou ainda o lançamento de uma nova maquininha, fruto de um acordo com a empresa norte-americana de tecnologia Poynt. A máquina tem uma tela que se parece com a de um smartphone de grande porte, funciona com sistema operacional Android e permite a instalação de aplicativos de interesse do lojista. Cerca de 3 mil unidades virão a mercado numa fase piloto das novas máquinas já em abril. Já no segundo semestre, a Rede espera ter entre 40 mil e 50 mil unidades desse modelo novo.