Um ex-corretor britânico da UBS e do Citigroup que orquestrou a manipulação da tarifa interbancária Libor, viu reduzida sua sentença nesta segunda-feira de 14 para 11 anos de prisão.

Em agosto passado, um tribunal de Londres considerou Tom Hayes culpado dos oito crimes de fraude que lhe foram atribuídos, ao final de mais de dois meses de julgamento.

Quatro meses depois, nesta segunda-feira, um juiz de apelação rejeitou anular a sentença, como tinha pedido Hayes, mas a reduziu levando em conta atenuantes, como o fato de ele sofrer de Síndrome de Asperger, uma forma de autismo.

O juiz advertiu a “todo mundo no mercado financeiro” que condutas similares “receberão sentenças severas com uma duração considerável”.

Os fatos atribuídos a Hayes ocorreram entre 2006 e 2010. Segundo o escritório britânico de luta contra o crime financeiro (SFO), este corretor estava no centro de um sistema para influenciar os juros da taxa Libor (London Interbank Offered Rate) e aproveitar suas flutuações para ganhar dinheiro.

Hayes começou a trabalhar no UBS de Tóquio em 2006 antes de seguir para o Citigroup. A Libor se declina em várias moedas e a especialidade de Hayes eram os produtos derivados do iene.

Esta taxa interbancária, fixada em Londres, serve de referência para vários produtos financeiros, da conta de poupança mais básica ao derivativo mais complexo, passando por crédito imobiliário, ao consumo, às empresas e às autoridades públicas. A taxa repercute, portanto, em bilhões de dólares ao ano em transações em todo o mundo.

Uma série de bancos, como Barclays, Lloyds Banking Group, Royal Bank of Scotland e Deutsche Bank receberam multas multimilionárias por sua responsabilidade no caso.