10/03/2011 - 9:14
O representante Keith Ellison, o primeiro muçulmano no Congresso americano, caiu em prantos nesta quinta-feira ao prestar depoimento em uma audiência controversa sobre o crescimento doméstico do terrorismo islâmico.
O democrata Ellison foi questionado pelo colega republicano Peter King, que preside o Comitê de Segurança Interna da casa, a depor apesar da clara oposição à controversa investigação sobre a radicalização dos muçulmanos americanos quase uma década depois dos ataques de 11 de setembro.
“O extremismo violento é uma séria preocupação para todos os americanos, mas a abordagem deste comitê neste assunto em particular é contrário aos valores americanos”, disse Ellison.
Ele apresentou a mãe de Mohammad Salman Hamdani, paramédico de 23 anos que morreu nos ataques contra o World Trade Center em 11 de setembro de 2001, em um esforço para demonstrar que os muçulmanos fazem parte de um tecido mais vasto de americanos leais e patrióticos.
Mas sua serenidade balançou quando começou a contar a história de Hamdani, que em sua juventude “queria ser visto como um menino americano”.
“Ele foi um daqueles primeiros bravos socorristas que perderam a vida nos ataques terroristas de 11 de setembro quase uma década atrás”, disse Ellison, choroso, mas após os ataques surgiram rumores de que Hamdani teria conspirado com os atacantes.
“Sua vida não deve ser identificada como apenas um membro de um grupo étnico ou apenas um membro de uma religião, mas um americano que fez tudo por seus compatriotas”, acrescentou.
Com a voz sufocada pelo choro e às vezes cobrindo o rosto, Ellison terminou seu depoimento e rapidamente deixou o recinto, enquanto um melancólico King e outros integrantes do comitê observavam.
King refutou alegações de que líderes da comunidade muçulmana não fazem o suficiente para deter a radicalização de muçulmanos americanos.
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