15/10/2013 - 4:00
O terceiro trimestre deste ano foi taxado por analistas como um período de fortes emoções. Com um início ruim, ainda sob o efeito das manifestações ocorridas em junho, o mercado conviveu com as declarações de uma possível retirada de estímulos na economia dos Estados Unidos, por parte do Federal Reserve (Fed), o banco central americano, somado ao risco de uma queda brusca na economia chinesa.

Período de divulgação acontece entre outubro e novembro
Outro elemento importante foi o dólar que em agosto chegou à casa dos R$ 2,45. Como fruto de ?tantas emoções?, as palavras mais utilizadas para definir os resultados do período são estagnação ou até mesmo recuo. O presidente do Banco Central, Alexandre Tombini, disse, no início de outubro, que a segunda metade do ano poderá ser de desaceleração ou acomodação se comparado a um segundo trimestre que cresceu 1,5%.
As análises e expectativas oficiais sobre os meses de julho, agosto e setembro ganham, a partir desta terça-feira 15, um novo indicador com a abertura da temporada de balanços das companhias listadas em bolsa. Quem dá início à divulgação é a Localiza, como acontece em toda nova safra.
Bráulio Borges, economista chefe da LCA Consultores, explica que a situação começou a melhorar em agosto com os indicadores do mês de julho melhores. ?Apesar de tantas coisas para influenciar os resultados das empresas, eu destacaria o efeito do dólar que será muito forte nos balanços das companhias, principalmente a Petrobras, as áreas e as que possuem ativos na moeda estrangeiras.?
O economista também fala sobre a crise das empresas do Grupo X que, apesar de não representarem nenhuma novidade, ganhou contornos dramáticos. ?A estimativa é que com tanta coisa acontecendo o PIB deste trimestre fique no 0 a 0. E claro, vemos uma melhora mais perceptível no quatro trimestre?.
Levantamento da Austin Rating, de setembro, mês que encerra o terceiro trimestre, mostra que os setores com melhor desempenho no mercado de ações brasileiro, no acumulado de doze meses, são o Petroquímico com valorização de 26,58%; Papel e Celulose a 24,35%; Industrial em 11,4%; Financeiro com 4,07% e Consumo e Varejo a 2,84%.
Já entre os piores desempenhos estão Petróleo e Gás com recuo de 39,39%; Energia e Saneamento negativo em 29,37%; Telecomunicações a menos 17,52% e Imobiliário e Construção apresentando queda de 15,03%.
Varejo em destaque
Primeira companhia de varejo a divulgar prévia de resultados na semana passada, o Grupo Pão de Açúcar apresentou crescimento de 15% em sua receita. Alberto Serrentino, sócio-sênior da GS&MD-Gouvêa de Souza, explica que no caso das empresas de bens de consumo, haverá um forte reflexo da inflação nos preços. ?O que de imediato pode elevar as receitas, não necessariamente configura melhora de resultados.?

Pressão inflacionária no varejo e estabilização na indústria chamam a atenção
Em setembro, o Índice de Confiança do Consumidor, divulgado pela Serasa Experian, foi o melhor do ano com crescimento de 0,9% em relação a agosto. Serrentino explica que esse otimismo influenciará positivamente o resultado, sobretudo, das empresas de varejo de moda.
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