Uma onda de venda de bônus de governos desenvolvidos desde a vitória de Donald Trump continua a ocorrer nesta segunda-feira, com investidores avaliando a perspectiva de aumento no estímulo fiscal e um ritmo mais rápido de elevações de juros. Às 8h30 (de Brasília), o juro da T-note de 2 anos subia a 0,972%.

Os retornos dos Treasuries, que sobem conforme os preços caem, estão perto de seu nível mais alto desde o início de janeiro, após registrarem o ganho semanal mais alto em mais de três anos após a vitória de Trump. A onda de venda de bônus se disseminou pelos mercados de outras nações desenvolvidas, conforme os juros dos Treasuries avançaram. O retorno do bônus de 10 anos do governo da Alemanha subia 0,3% pouco após a abertura dos mercados europeus, podendo fechar a sessão em seu nível mais alto desde janeiro. Os juros dos bônus do governo do Reino Unido retomaram o nível visto no mês anterior ao voto pela saída do país da União Europeia, que gerou um forte movimento de busca por esses papéis. Os retornos dos bônus de governos desenvolvidos na Ásia também registram avanços acentuados.

“A eleição de Trump e suas promessas de estímulo fiscal abriram as comportas, com um movimento forte de venda de bônus”, afirmaram estrategistas do Société Générale em nota a clientes nesta segunda-feira. Segundo eles, ainda não há uma interrupção nesse movimento.

Embora boa parte da agenda política de Trump seja um mistério, o presidente eleito já prometeu fazer gastos em infraestrutura e cortar impostos. Muitos analistas dizem que isso elevará o estoque de bônus, o crescimento econômico e a inflação, potencialmente prejudicando os ativos de renda fixa. Investidores temem particularmente que uma alta nos sinais de inflação e crescimento leve o Federal Reserve, o banco central norte-americano, a elevar taxas de juros em ritmo mais acentuado que o antes esperado.

Na mais recente pesquisa mensal do Wall Street Journal, economistas disseram que as políticas de Trump devem gerar maior crescimento econômico, maior inflação e taxas de juros mais altas. Na média, economistas preveem que a economia possa crescer 2,2% em 2017 e 2,3% em 2018, conforme o estímulo fiscal surta efeito. A inflação, por sua vez, deve segundo eles ficar em 2,2% no próximo ano e em 2,4% em 2018. Fonte: Dow Jones Newswires.