01/03/2006 - 7:00
Edgard Corona é engenheiro químico e trabalhou em uma usina de álcool em Ribeirão Preto (SP) até 1996. Optou por voltar à capital paulista e investir US$ 2 milhões em seu próprio negócio, também do setor de energia, mas outro tipo de energia: abriu uma academia de ginástica. Dez anos depois, Corona está sentado atrás de sua mesa caótica, repleta de papéis referentes a uma viagem à Nova Zelândia, onde foi conhecer a rede de academias Les Mills, uma das maiores do mundo. E admite que cometeu um grande erro. Não em apostar nesse setor, mas em copiar a estratégia das concorrentes brasileiras na hora de criar a sua Bio Ritmo. ?Quem no Brasil tinha experiência para fazer boas academias??, pergunta-se o executivo. ?Elas eram enormes, não se preocupavam em atender às necessidades dos clientes?. Para corrigir o que considera ter sido seu maior equívoco, Corona viajou o mundo, buscou inspiração nas melhores ?gyms? do planeta e trouxe para o País, em 2004, um programa de exercícios e relacionamento que, segundo ele, já satisfez 2,5 milhões de pessoas ao redor do mundo: o ?Face to Face? (?Cara a Cara?), criado pelo australiano Pail Brown. Agora, Corona quer passar e, claro, vender o que aprendeu para outras academias brasileiras. ?Comprei os direitos do ?Face to Face? para comercializá-lo no Brasil. Só não venderei no estado de São Paulo, que é o meu território?, explica. Os valores ainda não foram definidos, ele diz.
A correção na estratégia deu certo. Hoje, a Bio Ritmo é uma rede com 600 funcionários, nove academias abertas ao público e três dentro de empresas ? todas próprias. Elas faturam R$ 30 milhões por ano. A virada começou há cinco anos, quando Corona contratou uma representante americana da entidade Irsa (Indiana Recreational Sports Association), responsável por 2,6 mil academias no mundo, para ensiná-lo como gerir a Bio Ritmo. A primeira lição: oferecer ao cliente mais que um passeio pela academia em sua primeira visita. Fazer praticamente uma sessão de terapia, pesquisando os interesses e as necessidades do aluno. ?Com isso, a discussão não é racional, não é sobre preços. É sobre a solução do problema do cliente?, defende o empresário. O segundo ponto aplicado por Corona em suas academias é o de não constranger o aluno depois que ele adere ao programa. ?O ?Face to Face? é baseado em seis exercícios, feitos por meia hora, três vezes por semana. Ninguém tem de medir a gordura no corpo, querer ter uma performance de atleta. Tem de obter resultados sentindo-se bem?, afirma. Outro fator que torna a Bio Ritmo diferente das concorrentes é o ambiente das academias. Elas têm, em média, 1,8 mil metros quadrados, chão de madeira, a música a um volume razoável e aulas com turmas pequenas. Enfim, nada a ver com aquele clima de malhação (e competição) das megagyms.
Agora que já investiu mais de US$ 20 milhões e considera estar no caminho certo, Corona tem planos audaciosos. Além de negociar o programa ?Face to Face? com outras academias brasileiras, ele quer abrir, nos próximos cinco anos, outras vinte unidades da Bio Ritmo ? dez em empresas e dez para o público. Com isso, ele espera incrementar seu faturamento em R$ 22 milhões anuais.