10/01/2011 - 2:02
O secretário de Defesa americano Robert Gates e seu colega chinês Liang Guanglie tentarão nesta segunda-feira aparar as diferenças sobre as crescentes rivalidades militares entre as duas potências e defender um diálogo bilateral sobre segurança.
É a primeira visita de Gates à China desde 2007, quando ainda servia ao governo do presidente George W. Bush. O secretário deu início a sua agenda oficial nesta segunda, a apenas 10 dias antes da viagem do presidente chinês Hu Jintao aos EUA, com uma reunião de mais de duas horas com seu colega na qual se declararam a favor de reforçar o diálogo.
Mesmo assim não foi anunciado nenhum acordo importante e a China reiterou que a venda de armas americanas a Taiwan continuará sendo um tema delicado.
“A posição da China é clara e coerente. Nós nos opomos a esses contratos”, enfatizou o general Liang, durante coletiva conjunta com Gates.
Estas vendas de armas “prejudicam gravemente os interesses vitais da China e não queremos que isso se repita”, advertiu ainda.
Chineses e americanos estão empenhados em mostrar avanços nos laços militares, suspensos por Pequim em 2010 em represália à decisão dos Estados Unidos de vender bilhões de dólares em armas para Taiwan.
No avião que o levava a Pequim, Gates declarou que o aparente avanço da China no desenvolvimento de seu primeiro jato militar, em ritmo melhor que o esperado, e a potencial ameaça aos Estados Unidos representada por seus mísseis antinavios, aumentam a importância de construir um diálogo com o exército chinês.
“Eles claramente têm o potencial de colocar algumas de nossas capacidades militares em risco. E nós temos que prestar atenção a eles, temos que reagir apropriadamente com nossos próprios programas”, afirmou.
“Minha esperança é que, através deste diálogo estratégico ao qual me refiro, talvez haja menos necessidade de manter estas capacidades militares”.
O secretário americano, convidado pelo presidente Barack Obama a permanecer no cargo após o fim do governo Bush, disse que o momento escolhido para esta viagem não foi uma coincidência.
“Está claro que os chineses queriam que eu viesse antes que o presidente Hu visitasse Washington”, estimou.
“Pessoalmente, acho que uma relação positiva, construtiva e abrangente entre os Estados Unidos e a China não é apenas do interesse mútuo dos dois países, é do interesse de todos na região e do mundo todo, eu diria”, destacou Gates.
Segundo Gates, no encontro desta segunda também se falou da situação na península coreana, onde Washington considera necessário o apoio da China, único aliado da Coreia do Norte, para fazer diminuir a tensão.
Gates se reunirá nesta terça com o presidente Hu Jintao e, na quarta, visitará um centro atômico perto de Pequim. Depois viajará ao Japão e Coreia do Sul.
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