21/12/2022 - 14:33
A Rússia convocou, nesta quarta-feira (21), o embaixador da França em Moscou pelas declarações feitas pela chefe da diplomacia francesa na semana passada no âmbito de um ataque contra um funcionário russo na República Centro-Africana.
O Ministério de Relações Exteriores russo anunciou em nota ter informado “o embaixador francês [Pierre Lévy] do caráter inadmissível destas novas acusações contra a Rússia”, que se referiram à “difusão de ‘propaganda’ e ‘violências contra a população civil’ da República Centro-Africana por parte de supostas estruturas militares russas e privadas”.
“Fazemos um chamado às autoridades francesas para que se abstenham de adotar um enfoque neocolonial em seu trabalho na região, dizendo aos aliados africanos de quem devem ser amigos e cooperar, ou de criar histeria antirrussa”, continuou o comunicado.
A Rússia afirmou que um de seus representantes na República Centro-Africana havia sido gravemente ferido na sexta-feira em Bangui, a capital do país, após a explosão de uma carta-bomba.
O líder do grupo paramilitar Wagner, muito presente neste país africano, acusou a França pelo ataque.
Horas depois, a chefe da diplomacia francesa, Catherine Colonna, desmentiu as acusações e disse à AFP que eram “um bom exemplo da propaganda russa e da imaginação fantasiosa que caracteriza com frequência essa propaganda”.
“Esta milícia (Wagner) realiza ações lamentáveis contra a população civil”, acrescentou.
O grupo Wagner foi fundado em 2014 por Yevgueny Prigozhin, um empresário próximo ao Kremlin, segundo reconheceu em setembro. Seus combatentes foram mobilizados em vários países do mundo, alguns na América Latina.
A presença do Wagner foi documentada há oito anos em Ucrânia, Síria, Líbia, República Centro-Africana e Mali.
