23/12/2010 - 4:03
A Rússia elogiou nesta quinta-feira a ratificação pelos Estados Unidos do tratado de desarmamento nuclear START entre os dois países e o Parlamento de Moscou pretende aprovar o acordo, desde que o texto não sofra alterações durante o debate em Washington.
“Se as condições (aprovadas pelo Senado americano para a ratificação do START na quarta-feira) não modificarem o texto principal do tratado, então o ratificaremos amanhã (sexta-feira)”, declarou o presidente da Duma (Câmara Baixa), Boris Gryzlov.
Ele acrescentou que os parlamentares esperam receber os documentos americanos de ratificação nas próximas horas.
“Partimos do princípio de que não é preciso prolongar esta questão. Mas temos a intenção de trabalhar para que não exista nenhum problema no conteúdo”, destacou o presidente da Comissão das Relações Exteriores da Duma, Konstantin Kosachev.
Segundo o parlamentar, 50 emendas ao texto foram propostas durante o debate do tratado no Senado americano.
“Até receber o texto original, não saberemos quais delas passaram”, completou.
O presidente russo, Dmitri Medvedev, também celebrou a ratificação americana ao acordo. Segundo a porta-voz Natalia Timakova, ele “expressou a esperança de que a Duma e o Conselho da Federação (as duas Câmaras do Parlamento) estejam prontas para examinar a questão e fazer o mesmo”.
O ministro russo das Relações Exteriores, Serguei Lavrov, saudou a ratificação do tratado pelo Senado dos Estados Unidos, mas completou que Moscou precisa de tempo para estudar o texto antes de fazer o mesmo.
O Senado dos Estados Unidos aprovou o acordo na quarta-feira por 71 votos a 26, após várias semanas de intensas negociações em Washington pelas dúvidas dos republicanos.
Treze republicanos votaram a favor da ratificação.
O tratado START (sigla em inglês para Tratado para a Redução de Armas Estratégicas) foi assinado em 8 de abril de 2010 pelos presidentes dos Estados Unidos e Rússia, Barack Obama e Dmitri Medvedev, respectivamente, e limita as armas nucleares estratégicas – mísseis nucleares de longo alcance, entre outras – nos dois países.
Assinado por um período de 10 anos, o acordo prevê um máximo de 1.550 ogivas nucleares em cada um dos países, contra as 2.200 atuais, o que representa uma redução de 30%.
O texto prevê ainda a retomada das verificações mútuas dos arsenais nucleares por parte das duas potências, que foram interrompidas no fim de 2009.
O secretário-geral da ONU, Ban Ki-moon, e o secretário-geral da Otan, Anders Fogh Rasmussen, saudaram a ratificação americana do acordo.
lpt/fp