Bons exemplos de gestão de negócios não são exclusividade da iniciativa privada. Graças a um amplo programa de reestruturação iniciado em 1995, a Companhia de Saneamento Básico do Estado de São Paulo (Sabesp) conseguiu derrubar esse mito. A empresa de economia mista que apresentava no início da década de 90 a saúde extremamente debilitada transformou-se numa estrela do mercado brasileiro de abastecimento de água e tratamento de esgotos. O quadro em 1994 mostrava uma companhia lenta, inchada e marcada por balanços negativos. Naquele ano, por exemplo, amargou um prejuízo de R$ 223 milhões. As dívidas acumuladas batiam em R$ 630 milhões, mais da metade da receita de R$ 1,2 bilhão. Para impor uma nova realidade, o ex-presidente da Mangels, Ariovaldo Carmignani, assumiu o comando há cinco anos, chacoalhando toda a estrutura da companhia. Do fundo do poço, emergiu uma nova Sabesp. O faturamento quase triplicou, batendo em R$ 3,5 bilhões, e só nos primeiros nove meses de 2000 alcançou lucro recorde de R$ 430 milhões. Desde que ingressou em 1995 no mercado acionário, o lote de mil ações pulou de R$ 17,00 para R$ 190,00. ?A empresa está saneada?, comemora Carmignani.

Com a revitalização dos negócios, a Sabesp quer atingir a maioridade. Obteve da agência de classificação de risco Standard & Poor?s a nota B+, concedida a marcas como Votorantim e Petrobras. No último ano, a empresa se preparou para o lançamento de American Depositary Receipts (ADRs) de nível 3. Objetivo: vender as ações que excedem o controle do governo dono de 87% do capital) e captar recursos no exterior. ?O lançamento poderá acontecer ainda este ano?, afirma Carmignani.

Mas, não foi fácil para a Sabesp superar as turbulências. Na primeira reunião com os funcionários, Carmignani enfrentou resistência às suas idéias. ?Essa não deve ser uma preocupação de uma empresa de saúde?, comentaram, desagradando o presidente. Renovou a equipe, reduziu o quadro de pessoal de 22 mil para 17,5 mil e renegociou as dívidas. Também combateu dois males cruéis para a empresa: os elevados níveis de inadimplência e o desperdício.
Nos últimos cinco anos, cerca de R$ 4,5 bilhões foram aplicados na modernização das operações da Sabesp. Hoje, a empresa atende 25 milhões de habitantes. A posição conquistada a coloca na dianteira do processo de desestatização do setor de saneamento, um dos últimos da economia brasileira a ser privatizado. ?Dependendo do modelo adotado, estaremos na frente?, afirma Carmignani. Na corrida pelo tesouro, já se candidataram companhias internacionais, como as francesas Lyonnaise des Eaux, Vivendi e Saur, a inglesa Thames Water, a americana Azurix e a portuguesa Epal. Segundo o BNDES, os investimentos necessários para universalizar os serviços de água e esgoto em 15 anos totalizam R$ 40 bilhões ? ou R$ 2,6 bilhões por ano. Os volumes disponibilizados hoje atingem a média de R$ 1, 4 bilhão.