S de susto. A letra inicial de uma das marcas mais conhecidas do setor de carnes no País, a Sadia, não rimou, como reforçam suas campanhas publicitárias, com saúde financeira. Os resultados acumulados até setembro foram frustrantes e assustaram os executivos da companhia. ?As vendas foram aquém do que prevíamos?, admite Luiz Gonzaga Murat, diretor de finanças, administração e relações com investidores. No período, as vendas subiram tímidos 4% e o lucro líquido só saiu do prejuízo dos nove primeiro meses de 1999 por conta de operações no mercado financeiro internacional. A taxa de crescimento programada para 2000 era de 15%, mas a empresa ficará satisfeita com 4,5%, chegando a R$ 3,6 bilhões de faturamento. Para efeito de comparação: as vendas tinham saltado em 1998 de R$ 2,6 bilhões para R$ 3,1 bilhões no ano passado. As cifras desapontaram os acionistas, que cobravam um desempenho melhor e dividendos mais gordos. A decepção foi amenizada com a notícia de que o processo de lançamento, na Bolsa de Nova York, do programa de American Depositary Receipts (ADRs) de nível 2 se acelerou, podendo ser concluído em 2001. Para ganhar agilidade, a Sadia contratou a Thompson Financial, consultoria especializada em relações com investidores e responsável por programa semelhante para as ADRs da Petrobras. ?Estamos preparando essa operação para apresentá-la, ano que vem, aos órgãos reguladores do setor?, adianta Murat.

Esse tipo de operação garante facilidades aos investidores internacionais nas transações com as ações da Sadia e gera maior liquidez para estes papéis. Mas o lançamento depende ainda da aprovação de instituições brasileiras, como a Comissão de Valores Mobiliários (CVM), e dos EUA, como a Security Exchange Comission (SEC). ?Esses recibos de depósito conferem à empresa maior visibilidade internacional?, afirma Murat. Hoje, 30% das ações preferenciais pertencem a investidores estrangeiros.

É lá no exterior que a companhia tenta contornar o baixo desempenho das vendas no Brasil. A Sadia, com posição consolidada em países do Oriente Médio e do Mercosul, procurou reforçar vendas em mercados como a Europa. A média de participação das exportações nas vendas tem se mantido, nos últimos anos, em 25%, mas o terceiro trimestre de 2000 apontou tendência de alta, chegando a 31%. Porém, isso não se reverteu em crescimento nas vendas. Nos nove primeiros meses deste ano, foram comercializadas mais de 260 mil toneladas, contra quase 210 mil toneladas em idêntico período de 1999. Curiosamente, as receitas de janeiro a setembro de 2000 somaram R$ 623 milhões, 0,6% menos que em 1999. É susto com S maiúsculo.