Os setores de mineração, petróleo e bancário foram os que mais lucraram com a tempestade política nas últimas semanas na bolsa de valores. Quem se aventurou a comprar ações no auge da crise política, com a delação do senador Delcidio Amaral à força tarefa da operação Lava Jato no início de março, 3, e vendeu na terça-feira, 29, data do desembarque do PMDB do governo Dilma, teve excelentes ganhos.

Entre os dois episódios foram cravados 17 pregões na BMFBovespa, de acordo com a consultoria Economática. A pedido do portal da DINHEIRO foi feito um levantamento dos papéis que mais subiram nesse período (veja tabela abaixo) com a consultoria Economatica.

Para Flávio Conde, consultor da WhatsCall consultoria de investimento, existem fatores tanto internos quanto externos para explicar a alta dos papéis. “Pode-se dizer que no caso de mineração e petróleo houve influências políticas internas e externas. Meio a meio, eu diria”.

Cenário deteriorado

Conde explica que a boa performance de ações como  Gerdau, Usiminas, Petrobras, Banco do Brasil e Bradesco está ligada ao fato de que sofreram com a recessão e o aumento do risco Brasil, com a reclassificação do grau de investimento das principais agências de risco internacionais no início do ano. O cenário político apimentou esse diagnóstico e fez com que os preços subissem, afirma.

“O que poucos dizem com clareza é que a presidente Dilma conseguiu destruir a credibilidade e a esperança do empresariado. E isso vai muito além dos números da economia”. Para o especialista, essa deterioração de cenário e a perspectiva do impeachment da presidente elevaram os preços dos papéis. A tese, explica, é que um novo governo poderia ao menos restabelecer a confiança na economia, com impacto direto no resultado das empresas.

Fatores Externos

A explosão nos preços de algumas ações na BMFBovespa também está atrelada a dois fatores externos, na avaliação de Conde.  A recuperação dos preços de commodities, particularmente do aço no mercado internacional com aumento de compras por parte da China, seria um dos fatores. O outro foi o enfraquecimento do dólar no mundo em relação a outras moedas.

No caso do dólar, havia uma expectativa de que o banco central americano, o Fed, subisse com mais rapidez a taxa básica de juros nos Estados Unidos em 2016, o que não ocorreu. De janeiro para cá foi contabilizada somente uma alta na taxa, quando se esperava pelos menos duas outras intervenções.

As ações que mais subiram de 03/03 (delação do senador Delcidio) até 29/03 (rompimento PMDB)

1 – Gerdau PN  (setor: siderúrgico): +55,56%

2 – Gerdau Met (setor: siderúrgico): + 50,50%

3 – Usiminas PNA (setor: siderúrgico): + 45,75%

4 – Petrobras PN (petróleo) : + 29,22%

5- Cyrella Realt  ON (construção civil): + 25,38%

6 – Banco do Brasil ON (bancos): +25,16%

7 – Rumo Log ON (logística): +24,65%

8 – Bradespar PN (administração de empresas): +21,94%

9 – Bradesco ON (bancos): +19,34%

10 – Cemig PN (energia): +18,54%