16/01/2026 - 15:07
O presidente da República, Luiz Inácio Lula da Silva, afirmou nesta sexta-feira, 16, que o valor atual do salário mínimo no Brasil, fixado em R$ 1.621 em 2026, ainda não atende às necessidades dos trabalhadores. Segundo ele, é papel do governo e da sociedade defender reajustes contínuos do piso nacional. A declaração foi feita durante cerimônia realizada na Casa da Moeda, no Rio de Janeiro, que marcou os 90 anos da criação do salário mínimo no país.
+Atividade econômica do Brasil cresce 0,7% em novembro; no ano, agro puxa avanço de 2,4%
“O salário mínimo é muito pouco. O que eu estou fazendo apologia aqui é da criação da ideia desse País ter um salário mínimo. Todos nós, governo e vocês, temos a obrigação de brigar para que ele melhore”, afirmou Lula.
Lula destacou que o salário mínimo tem impacto direto sobre trabalhadores sem representação sindical e sobre aposentados, grupos que dependem do piso como principal referência de renda. Para o presidente, o crescimento da economia deve ser compartilhado com quem gera a produção. Ele afirmou que o aumento do Produto Interno Bruto (PIB) decorre do trabalho da população e que, por isso, a renda do trabalhador deve acompanhar esse movimento.
Desde 1º de janeiro de 2026, o salário mínimo passou de R$ 1.518 para R$ 1.621, o que representa um reajuste de 6,7%. O governo defende a continuidade da política de valorização real do piso salarial, retomada a partir de 2023. De acordo com dados do Instituto Brasileiro de Geografia e Estatística (IBGE), 35,3% dos trabalhadores brasileiros, cerca de 31,3 milhões de pessoas, recebiam até um salário mínimo em 2022, o que reforça o alcance da medida sobre o mercado de trabalho e a renda das famílias.
O atual modelo de correção do salário mínimo considera a inflação medida pelo INPC do ano anterior e o crescimento do PIB de dois anos antes, respeitando os limites definidos pelo arcabouço fiscal entre 2025 e 2030. A regra foi estabelecida pela Lei nº 14.663/2023 e tornou permanente a política de valorização, trazendo previsibilidade para empresas, trabalhadores e contas públicas. Entre janeiro de 2022 e janeiro de 2026, o ganho real acumulado do salário mínimo acima da inflação foi de 11,8%.
Durante o evento, o presidente também defendeu a Consolidação das Leis do Trabalho (CLT), criada no mesmo período histórico do salário mínimo. Segundo ele, tanto o piso salarial quanto a legislação trabalhista surgiram como instrumentos para assegurar direitos básicos aos trabalhadores. Lula afirmou que a cerimônia não teve como objetivo exaltar o valor atual do mínimo, mas sim a decisão tomada em 1936, no governo de Getúlio Vargas, de estabelecer um patamar legal de remuneração mensal.
“Nós não estávamos fazendo um ato em apologia ao valor do salário mínimo, porque o valor do salário mínimo é muito baixo no Brasil. Estamos fazendo apologia à ideia de um presidente da República que, em 1936, criou a possibilidade de se estabelecer um salário que garantisse aos trabalhadores os direitos elementares que todos temos direito”, disse o presidente.
A celebração contou com a presença de ministros de Estado, como Esther Dweck (Gestão e Inovação), Gleisi Hoffmann (Relações Institucionais) e Luiz Marinho (Trabalho e Emprego), além do presidente do Banco Central, Gabriel Galípolo. Na ocasião, foram lançadas duas medalhas comemorativas, uma de prata e outra de bronze, em referência aos 90 anos do salário mínimo e aos 20 anos da política de reajuste real.
Segundo estimativas do governo, apenas o reajuste aplicado em 2026 deve injetar cerca de R$ 82 bilhões na economia, por meio do aumento da renda disponível para consumo. A política de valorização beneficia diretamente aproximadamente 62,3 milhões de pessoas, incluindo trabalhadores ativos, aposentados e beneficiários de programas previdenciários e assistenciais.
O ministro do Trabalho e Emprego, Luiz Marinho, afirmou que, sem as políticas de valorização adotadas nos últimos governos, o salário mínimo teria um valor próximo de R$ 830. Para ele, a correção do piso salarial tem relação direta com a dinâmica do mercado de trabalho, que encerrou 2025 com taxa de desemprego em torno de 5,2%, segundo dados oficiais.
Criado por lei em 1936, o salário mínimo passou a integrar a estrutura econômica brasileira como referência de remuneração e base para benefícios sociais. Ao longo das décadas, o instrumento foi ajustado conforme diferentes modelos de política econômica, mantendo-se como um dos principais parâmetros de renda no país. A cerimônia na Casa da Moeda buscou registrar esse percurso histórico e o papel do salário mínimo na organização do mercado de trabalho brasileiro.
