Santa Catarina entrou com recurso no Supremo Tribunal Federal (STF)  para convencer os 11 ministros que o mandado de segurança é a via  adequada para questionar a dívida pública com a União. O Estado é  pioneiro na tese de que a Selic capitalizada é inconstitucional. Na  prática, a antiga dívida de Santa Catarina com o governo federal,  calculada em torno de R$ 9 bilhões, é paga em parcelas mensais  milionárias e, em vez de diminuir, aumenta, pois são cobrados juros  sobre juros.

O governador Raimundo Colombo (PSD-SC) pela  primeira vez enfrenta o governo federal, embora creia que não haverá  atrito mais severo na parceria política com a presidente Dilma Rousseff.  ”Não acredito em retaliação, acho que temos uma boa relação. Porém, o  alongamento da dívida prejudica a sociedade, desequilibra as contas e  diminui nossa capacidade de investimento”, disse o governador.

Entretanto,  se a tese catarinense obtiver êxito a União poderá perder R$ 300  bilhões, caso os outros Estados sigam o mesmo exemplo.

Enquanto  o STF julga o mérito da ação, o Estado depositará as parcelas mensais,  de R$ 89 milhões, em uma conta própria aberta no Banco do Brasil.

A  decisão de depositar em conta administrativa e não pagar as parcelas se  deve a três fatos. O Estado recorreu à Secretaria do Tesouro Nacional  solicitando informações sobre o recálculo e não obteve resposta. Houve  divergência entre os cálculos na aplicação das taxas da Selic e a  parcela cobrada este mês veio sem o desconto reconhecido pela própria  União.

“Se o Estado pagar o que está sendo cobrado estará  dando R$ 13 milhões a mais do que a própria União está disposta a  descontar, mesmo com uso do critério de juros sobre juros”, disse o  Procurador Geral do Estado, João dos Passos.

Segundo o  secretário da Fazenda, Antonio Gavazzoni, o governo federal poderá  cobrar de maneira compulsória. Basta bloquear a conta e pegar o valor da  parcela. “Corremos esse risco, mas nosso interesse é forçar uma  manifestação do STF e um diálogo com a presidente”, disse.

Rousseff  convocou Colombo para uma reunião na sexta-feira, 4, em Brasília. Nesta  tarde, o governador reúne todos os deputados catarinenses na Casa da  Agronômica, em Florianópolis, para explicar sua decisão.