04/03/2011 - 4:50
Um satélite da Nasa, o Glory, destinado a estudar o clima terrestre, caiu nesta sexta-feira no Pacífico pouco depois do lançamento – dando um prejuízo de 424 milhões de dólares à Agência Espacial americana.
O satélite mostrou-se muito pesado para entrar em órbita, levado pelo foguete Taurus-XL, caindo no Pacífico às 07H09, hora de Brasília.
“Estamos muito abatidos”, declarou à imprensa Ron Grabe, vice-presidente da Orbital Sciences, construtora do foguete e do satélite.
Em entrevista à imprensa, os dirigentes da Nasa e o construtor explicaram que “não registraram nenhuma anomalia” antes do lançamento, o que foi confirmado pelo diretor de lançamentos da Nasa, Omar Baez.
O satélite chegou a se separar do foguete, mas a carenagem, de proteção, em forma de cone, que o recobria, não se destacou completamente, fazendo com que se tornasse muito pesado e caísse na atmosfera.
A Nasa vai nomear uma comissão de investigação para determinar as causas do incidente.
O lançamento já havia sido adiado duas vezes desde a data inicial de 23 de fevereiro, após um problema de controle.
É o segundo fracasso em dois anos da empresa Orbital Sciences no lançamento de um satélite destinado a estudar o clima. Em fevereiro de 2009, um satélite que deveria permitir as emissões de dióxido de carbono (CO2) caiu, também, no oceano, perto da Antática.
Neste caso, também, o casco portetor permaneceu colado ao satélite, causando sua queda.
Mas o fabricante preferiu não fazer uma comparação.
“Não há ainda dados disponíveis para ir mais longe”, declarou o diretor-geral adjunto da Orbital, Rick Straka.
O vice-presidente da empresa Ron Grabe explicou que, desde o fracasso de 2009, o sistema elétrico havia sido substituído e que três lançamentos puderam ser realizados com sucesso.
“Estávamos, então, confiantes, e pensávamos ter solucionado o problema”, lamentou o engenheiro.
Glory estava equipado com dois novos instrumentos concebidos para estudar alguns elementos mais complexos do sistema climático terrestre.
O primeiro é o Aerosol Polarimetry Sensor, para estudar como os aerossóis podem influenciar o clima, absorvendo ou refletindo os raios solares e também modificando as nuvens e as precipitações.
O segundo instrumento é o Irradiance Monitor, que mede a energia solar absorvida pela Terra.
Além do Glory, o foguete Taurus-XL transportava os primeiros nano-satélites de um programa de educação da Nasa, chamados CubeSats e concebidos por estudantes universitários.
O Glory deveria somar-se a uma frota de satélites de observação da Terra chamadas “Afternoon Constellation” ou “A-train”.
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