04/07/2016 - 11:40
A Gol está satisfeita com o resultado da troca de bônus proposto a investidores estrangeiros e acredita que a adesão inferior ao considerado adequado não irá afetar as negociações com seus demais credores, disse nesta segunda-feira, 4, Edmar Lopes, vice-presidente Financeiro e de Relações com Investidores da companhia aérea.
“Estamos satisfeitos, conseguimos diminuir nossa dívida em US$ 100 milhões, o que, em reais, é relevante. E com isso também nosso uso de caixa será reduzido”, afirmou Lopes em conference call com a imprensa.
Lopes reiterou que o formato da troca não foi negociado com os “bondholders” e que os parâmetros da oferta foram os que “cabiam no bolso” da companhia. “Fomos consistentes. Eu, pessoalmente, conversei com mais de 150 investidores europeus, norte-americanos, da Rússia e dos Emirados Árabes”, disse.
O executivo acredita que a adesão inferior ao esperado não deve afetar a negociação com os bancos, a qual dependia do sucesso dessa troca. “Vamos conversar com os bancos sobre renegociação das debêntures e dinheiro novo nos próximos dias”, disse, sinalizando que o resultado da troca não romperá essas negociações.
Paralelamente à negociação das debêntures, a Gol pleiteia um novo empréstimo de R$ 300 milhões. “O impacto do resultado da troca dos bonds sobre as outras medidas de liquidez será pequeno e administrável”, previu. Lopes afirmou ainda que a companhia não está buscando um aporte adicional por meio da venda de participação.
As negociações com os bancos dependiam da adesão à troca porque, com isso, a companhia conseguiria enquadrar o “covenant” de suas dívidas. Lopes explicou que os “covenants” foram favorecidos pela queda do dólar em relação ao real. “Com a queda do dólar para o patamar de R$ 3,20, fechamos o mês de junho com uma redução no estoque de nossa dívida de R$ 1,4 bilhão”, disse.
O vice-presidente Financeiro afirmou que a retração do dólar frente à moeda brasileira também ajudou a aumentar a adesão à troca dos bonds. No entanto, o executivo frisou que, apesar do efeito positivo da apreciação do real, a grande dificuldade da empresa é a volatilidade do câmbio. “O novo patamar do dólar não está incorporado em nossas projeções e teremos de refazer tudo. Com a volatilidade, nosso fluxo de caixa tem de ser revisitado a todo o tempo”, destacou.
Segundo ele, o eventual otimismo com câmbio não altera a estratégia de adequação da companhia. “Entendemos que em 2016 e 2017 teremos muitos desafios do ponto de vista de demanda”, disse. “Manteremos nosso plano de redução de capacidade e todas as outras frentes de negociação, incluindo com outras partes, como Boeing e Delta”, acrescentou. (cynthia.decloedt@estadao.com)