O ministro Gilmar Mendes, do Supremo Tribunal Federal (STF), afirmou  nesta terça-feira, 19, que a Corte precisará analisar a plausibilidade  de o presidente da Câmara, Eduardo Cunha (PMDB-RJ), ser afastado do  cargo caso a presidente Dilma Rousseff sofra impeachment. Terceiro na  linha sucessória presidencial, o parlamentar é réu na Lava Jato, o que o  impede de assumir o cargo máximo do Poder Executivo.

Gilmar  também mencionou esta hipótese na segunda-feira, em entrevista ao  programa Roda Viva, da TV Cultura. “O que eu disse foi a questão da  possibilidade de Cunha assumir ou não em substituição”, explicou. “Se  for controvertido, (o caso) vai acabar chegando aqui (ao STF).”

A  Constituição fala que o presidente da República ficará suspenso de suas  funções quando o Senado receber denúncia sobre crimes de  responsabilidade ou quando o STF receber denúncia sobre infrações penais  comuns. “Teria que saber se isso seria aplicado e como seria a eventual  substituição”, disse o ministro.

Em março, Cunha passou a  ser o primeiro réu da Lava Jato no Supremo depois que os ministros  aceitaram a denúncia do procurador-geral da República, Rodrigo Janot,  contra ele em um dos três inquéritos pelo qual é investigado. Cunha foi  acusado formalmente de receber propina de US$ 5 milhões no esquema de  corrupção na Petrobras. Os valores seriam referentes a contratos de  aluguel de navios-sonda firmados pela Diretoria Internacional da  estatal, que era considerada cota do PMDB no esquema de corrupção.

O  Ministério Público Federal também apura se o presidente da Câmara e  seus familiares mantiveram contas ilícitas na Suíça que teriam sigo  irrigadas com dinheiro desviado da petroleira, além do recebimento  ilegal de R$ 52 milhões em obras do Porto Maravilha, no Rio de Janeiro.