Trajetória da taxa básica dependerá da capacidade do próximo governo em apresentar plano crível para a dívida pública.

A taxa Selic para o encerramento de 2027 apresenta um intervalo de variação de 5,75 pontos percentuais entre os cenários projetados pelo Morgan Stanley. A trajetória dos juros após o processo eleitoral de 2026 responderá primariamente ao grau de confiança do mercado no ajuste das contas públicas do próximo mandato.

“O fiscal passou a fazer parte, de maneira crescente, da função de reação da política monetária”, afirma o banco em relatório. No cenário base, a Selic recua dos 14% previstos para o fim de 2026 para 11% ao término de 2027. Uma deterioração da credibilidade fiscal forçaria o Banco Central a retomar a elevação da taxa até 15,5%, à medida em que a percepção de risco enfraquece o câmbio e desancora as expectativas de inflação.

O caso base pressupõe um ajuste limitado na gestão orçamentária, suficiente apenas para conter rupturas severas na percepção dos investidores. Nesse ambiente, a inflação cede de 5% ao final de 2026 para 4% no ano seguinte, enquanto o avanço do PIB desacelera de 2% para 1,2%. A desaceleração da atividade econômica e a permanência de uma política restritiva sustentam a queda gradual da taxa básica, mantendo o juro real próximo de 7%.

“O Banco Central terá espaço limitado para reduzir os juros, apesar do crescimento mais fraco, diante das expectativas fiscais e inflacionárias desancoradas”, aponta o documento.

Na hipótese adversa, o problema decorre da ausência de um plano convincente para estabilizar a dívida bruta no médio prazo. A deterioração das expectativas pressionaria o dólar ao patamar de R$ 6 e manteria a inflação em 5%, mesmo com a expansão do PIB recuando a 0,2%. Diante desse quadro, a autoridade monetária precisaria atuar na contenção dos preços, gerando novo aperto monetário que elevaria a dívida pública para 87,9% do PIB.

Por outro lado, o cenário otimista considera a entrega de um programa fiscal plurianual crível, capaz de gerar um choque de confiança inicial. A valorização do real e o alinhamento do IPCA à meta em 3,8% permitiriam ao Banco Central estender o ciclo de cortes até 9,75%, estabilizando a dívida em 86,2% do PIB até 2028 antes de iniciar trajetória de queda.

Com o déficit nominal em 7,9% do PIB registrado em meados de 2026, os juros elevados continuam a ampliar o custo do endividamento público. “A implementação fiscal pode ser gradual, mas a reprecificação dos ativos brasileiros não precisa ser”, resume a instituição. O ritmo da flexibilização monetária em 2027 segue condicionado à capacidade do governo eleito em ancorar a trajetória da dívida de longo prazo.

 

 

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